O jato transportou ar muito quente e úmido do Norte da Argentina, Paraguai e Centro-Oeste do Brasil para o Rio Grande do Sul, aumentando a energia disponível para o desenvolvimento de tempestades severas –
Um tornado atingiu o município de Pedro Osório, no Sul do Rio Grande do Sul, no final da tarde desta quinta-feira. Vídeos publicados nas redes sociais mostram o funil avançando em localidade entre Pedro Osório e Arroio Grande. Não há informações ainda oficiais de danos ou vítimas.
O tornado registrado no fim da tarde ocorreu em um ambiente atmosférico que já vinha sendo apontado pela MetSul Meteorologia como favorável à formação isolada deste tipo de fenômeno. Desde antes da chegada da linha de instabilidade, a empresa alertava que, embora o principal risco fosse de vendavais severos e destrutivos, não era possível descartar a ocorrência de tornados em pontos isolados do estado.
A confirmação do tornado reforça que os ingredientes atmosféricos previstos pela equipe da MetSul estavam presentes. O primeiro foi uma intensa corrente de jato em baixos níveis, um corredor de ventos fortes entre um e dois quilômetros de altitude.
O jato transportou ar muito quente e úmido do Norte da Argentina, Paraguai e Centro-Oeste do Brasil para o Rio Grande do Sul, aumentando a energia disponível para o desenvolvimento de tempestades severas.
Ao mesmo tempo, uma linha de instabilidade que precede frente fria avançava rapidamente sobre o Sul do estado associada à formação e ao aprofundamento de um ciclone extratropical no Uruguai.
O encontro do ar quente e úmido com o ar mais frio favoreceu o rápido crescimento das nuvens de tempestade e a formação de uma extensa linha de instabilidade que cruza o território gaúcho com chuva intensa e rajadas muito fortes de vento.
O fator mais importante para o risco de tornados, entretanto, era o intenso cisalhamento do vento. A mudança acentuada da velocidade e da direção dos ventos entre a superfície e os níveis mais elevados da atmosfera criava um ambiente propício para que as correntes ascendentes das tempestades passassem a girar. Tal processo ocorre pela divergência de vento gerada pelo jato de baixos níveis (vento de Noroeste a Norte) com o da frente fria (Oeste a Sul). O processo leva à formação de células de tempestade com pequenas circulações pelo cisalhamento embutidas na própria linha de instabilidade, conhecidas QLCS. Além disso, a intensificação da área de baixa pressão aumentou os ventos em diferentes níveis da atmosfera, elevando os índices de helicidade, parâmetro que mede o potencial de rotação do ar. A combinação entre elevada umidade, forte transporte de calor, intenso cisalhamento e alta helicidade era justamente o conjunto de ingredientes destacado pela MetSul em seus alertas.
Com informações: MetSul
Fonte:A Rede PG







