O Campeonato Brasileiro retorna nesta quarta-feira, 7, após um intervalo de 17 dias, trazendo uma mudança significativa: a proibição da exibição de marcas de casas de apostas nas camisas dos times e em outros espaços publicitários, como placas e backdrops. Essa decisão é resultado de uma medida provisória assinada pelo presidente Lula, que baniu a operação dessas plataformas no Brasil.
Diversos clubes, entre eles Botafogo, Cruzeiro, Fluminense e São Paulo, manifestaram-se como partes interessadas no processo, argumentando que a medida impacta negativamente os contratos de patrocínio já estabelecidos e o planejamento financeiro das equipes. Os clubes também pleiteiam a criação de um período de transição para os contratos vigentes, de forma a mitigar os efeitos da nova regra.
Embora alguns times tenham encerrado seus contratos com casas de apostas, como o Atlético Mineiro, outros buscam soluções alternativas. O São Paulo, por exemplo, irá exibir em sua camisa, durante o jogo contra o Cruzeiro, a marca da Superscore, uma plataforma de estatísticas esportivas pertencente ao mesmo grupo econômico da Superbet. Essa estratégia foi adotada para manter a parceria com a empresa.
O Santos foi o primeiro clube a interromper a exibição de patrocínio de uma casa de apostas após a proibição, suspendendo a parceria com a Novibet. Na última sexta-feira, em um jogo atrasado da 21ª rodada, o time atuou sem patrocinador no espaço mais destacado de sua camisa. A suspensão do contrato não significa seu término definitivo, e o clube, assim como muitos outros, aguarda uma decisão favorável sobre a liminar de Fux, alimentando a expectativa de que a medida provisória seja revogada.
Os clubes se prepararam para o cenário atual e levarão camisas com e sem patrocínio para as partidas desta semana. A mesma abordagem será aplicada aos backdrops, utilizados durante as entrevistas coletivas dos atletas. A Advocacia Geral da União (AGU) argumentou que a medida não foi tomada em um contexto de mera reconsideração, mas em resposta a impactos identificados sobre o orçamento familiar e a saúde dos cidadãos.
Além disso, a AGU destacou que a regulamentação não foi suficientemente robusta para proteger os apostadores, especialmente os trabalhadores de baixa renda, dos riscos associados ao superendividamento e à saúde mental. O órgão ainda afirmou que a urgência dos impactos causados pelas apostas justifica a intervenção normativa imediata, sem a necessidade de que o problema tenha surgido de forma repentina.





