A proposta de redução da jornada de trabalho e a eliminação da escala 6×1 podem impactar negativamente o comércio e os serviços, conforme avaliação da assessora jurídica da Fecomércio-SP, Karina Negrelli. Em entrevista à Jovem Pan, ela destacou que as mudanças podem elevar os custos e dificultar a adaptação das empresas, principalmente aquelas que dependem intensivamente de mão de obra.
Karina observou que a transição para uma nova jornada de trabalho representa um desafio significativo para o setor. Ela mencionou que o período para adaptação é curto e que muitas empresas já operam com margens estreitas, o que torna a absorção de um aumento de custos com mão de obra ainda mais complexa. O impacto é considerado relevante, especialmente com a mudança da escala de 6 por 1 para 5 por 2.
A representante da Fecomércio frisou que a entidade não se opõe à modernização das relações de trabalho, mas defende que cada setor deve ter a liberdade de estabelecer suas próprias regras. "As atualizações e as modernizações são sempre necessárias e desejáveis. O que ocorre é que estabelecer condições únicas para as diversas atividades profissionais e econômicas no Brasil não atende à realidade de muitas demandas", afirmou.
Karina também ressaltou que as negociações coletivas já possibilitam ajustes entre sindicatos de trabalhadores e entidades empresariais, e defendeu a manutenção desse mecanismo como fundamental para a adequação das normas às realidades específicas de cada setor. Atualmente, a média de horas trabalhadas no Brasil é de 38,4 horas por semana, já abaixo do limite constitucional de 44 horas.
Durante a tramitação da proposta, a Fecomércio apresentou sugestões que visam permitir que a jornada geral de 40 horas conviva com regimes especiais estabelecidos por negociação coletiva. "A nossa proposta era que pudesse ser feita uma alteração que permitisse conviver o sistema, o regime geral de 40 horas, mas também não reduzir a hipótese de atuação das negociações coletivas apenas em situações excepcionais", explicou.
A entidade ainda defende a criação de regimes diferenciados previstos em lei, adequando-se às necessidades de cada setor. A proposta de redução da jornada já avançou na Comissão de Constituição e Justiça e, conforme a expectativa, a votação deve ser retomada após as eleições.





