A Federação União Progressista está avaliando a possibilidade de manter uma postura neutra na próxima eleição nacional, uma decisão que pode representar um desafio significativo para o pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro. A manobra ocorre em meio a fatores que têm gerado desgaste político, entre os quais se destaca a recente operação da Polícia Federal que resultou na prisão de Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo e candidato ao Senado com apoio de Flávio.
A prisão de Canella provocou discussões dentro do PL do Rio de Janeiro, levando a sigla a considerar a substituição do nome do ex-prefeito pelo deputado federal Marcelo Crivella, o que gerou descontentamento entre os líderes do União Brasil. A estratégia de neutralidade em nível nacional, defendida por dirigentes da federação, poderia facilitar a formação de alianças nos estados e permitir maior liberdade para aqueles que buscam uma vaga no Congresso.
Recentemente, o governador do Amazonas, Roberto Cidade, lançou sua pré-candidatura ao governo sem mencionar Flávio Bolsonaro, sinalizando um movimento em direção à independência política. No Rio de Janeiro, a neutralidade é vista como uma maneira de facilitar a colaboração com Eduardo Paes, ex-prefeito e atual candidato ao governo, que se alinha ao partido do presidente Luiz Inácio Lula.
Além disso, o cenário se repete em outros estados, como na Bahia, onde ACM Neto, ex-prefeito de Salvador, tem se aproximado do pré-candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado. A situação traz incerteza também para Antonio Rueda, presidente do União Brasil, que almeja uma vaga na Câmara dos Deputados e tinha planos de se beneficiar da popularidade de Canella na Baixada Fluminense.
Por outro lado, no PP, há insatisfação quanto à falta de apoio de Flávio Bolsonaro ao presidente da sigla, Ciro Nogueira, que já foi alvo de investigações da Polícia Federal relacionadas ao Banco Master. As investigações revelaram diálogos de Nogueira com o banqueiro Daniel Vorcaro, além de ordens de pagamento que levantaram suspeitas sobre a relação entre eles.
Apesar das inquietações, membros do PP afirmam que a possibilidade de reavaliação da neutralidade nacional está em aberto, especialmente se um cargo de vice-presidência for oferecido ao partido. A senadora Tereza Cristina já havia sido mencionada como uma potencial candidata ao cargo, mas até o momento Flávio Bolsonaro não confirmou essa possibilidade.







