Durante uma reunião da agenda econômica do presidente Donald Trump, Jamieson Greer, chefe do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), afirmou que o desmatamento no Brasil confere uma vantagem comercial desleal ao país. Greer destacou que as práticas de desmatamento têm sido uma preocupação constante e que levaram os EUA a iniciar uma investigação sob a Seção 301, resultando na imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre certos produtos brasileiros.
O representante dos Estados Unidos mencionou que a investigação revelou que o Brasil adotou medidas que prejudicam os interesses comerciais norte-americanos. Entre os problemas identificados estão ordens judiciais que forçaram empresas de tecnologia a remover conteúdos políticos, multas elevadas e ameaças de interrupção de operações, além do favorecimento do sistema Pix, considerado um “campeão nacional” pelo Banco Central brasileiro.
Greer também apontou que o Brasil concede tarifas preferenciais a países como Índia e México, sem oferecer reciprocidade para produtos dos EUA. Ele ainda destacou falhas no combate à corrupção e os impactos negativos do desmatamento ilegal sobre os agricultores norte-americanos. O representante declarou que, apesar das tentativas de negociação ao longo de mais de um ano, as respostas do governo brasileiro não foram satisfatórias.
O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos realizou audiências públicas antes de aplicar a sobretaxa, e muitos representantes do setor privado expressaram preocupações de que essa medida poderia afetar as cadeias de produção globais e aumentar os custos para os consumidores nos EUA.
Em resposta ao anúncio da tarifa de 25%, o vice-presidente brasileiro, Geraldo Alckmin, descartou a aplicação da Lei da Reciprocidade contra os Estados Unidos. Em coletiva à imprensa, Alckmin ressaltou que o governo brasileiro optará por negociações ao invés de retaliações, afirmando que “a ideia não é retaliação” e que o foco deve ser a correção das injustiças.
Alckmin, junto com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, se reuniu com representantes de setores que serão afetados pela tarifa. De acordo com Rosa, cerca de 18% das exportações brasileiras poderão ser impactadas pela nova sobretaxa a partir de dados de 2024.







