A força eleitoral do ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) no Rio de Janeiro é resultado de sua trajetória política consolidada, do peso da capital e do reconhecimento do seu nome entre os eleitores. A cientista política Mayra Goulart, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), aponta que a trajetória de Paes não se atém à polarização das disputas nacionais, o que lhe confere uma vantagem competitiva. Inicialmente, Paes surgiu como favorito nas pesquisas, com a possibilidade de vencer ainda no primeiro turno.
A experiência de Paes como prefeito no período de 2009 a 2016 ampliou sua base eleitoral, permitindo que ele tivesse um ponto de partida sólido na disputa pelo governo do Estado. A capital, que representa 40% dos votos do Rio de Janeiro, é onde Paes construiu sua maior identificação política. A professora Mayra destaca que essa notoriedade na capital é fundamental para qualquer candidato que busque uma posição de destaque nas eleições estaduais.
A trajetória eleitoral de Paes, que inclui uma tentativa anterior ao governo do Estado e seu retorno à prefeitura, também contribui para aumentar o conhecimento de seu nome entre eleitores de outras regiões. Essa combinação de fatores é essencial para entender como ele iniciou a corrida em uma posição favorável, apesar das mudanças no cenário eleitoral.
O contexto atual da corrida eleitoral é marcado por investigações que atingem adversários de Paes e que podem impactar a percepção dos eleitores. O ex-governador Cláudio Castro (PL) desistiu da pré-candidatura ao Senado após ser alvo de duas operações da Polícia Federal, que investigam suas relações com o empresário Ricardo Magro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Castro nega qualquer irregularidade.
Recentemente, uma investigação envolvendo Flávio Bolsonaro também agitou o cenário político. Conversas entre uma assessora do senador e Robson Calixto, condenado pelo Supremo Tribunal Federal por seu envolvimento no assassinato de Marielle Franco, foram reveladas. A Polícia Federal está apurando a liberação de R$ 199 mil em emendas destinadas a um projeto de futebol no Rio, com indícios de desvio de recursos. Flávio Bolsonaro defende que os repasses foram realizados dentro da legalidade e com critérios técnicos adequados.





