No início de 2023, um grupo de famílias ocupou 21 moradias inacabadas em Foz do Iguaçu. Esses imóveis estão destinados a beneficiários do cadastro habitacional da prefeitura, que aguardam pela casa própria há mais de dez anos. A administração municipal informou que as obras foram paralisadas em janeiro e que o longo período de espera evidencia a ineficiência do poder público em garantir o direito à moradia.
O déficit habitacional na cidade é alarmante. As chaves das novas moradias entregues não atendem à demanda crescente, e a situação se torna ainda mais crítica quando as políticas públicas falham em oferecer soluções rápidas. Nesse cenário, o acesso à moradia deixa de ser um direito garantido e se transforma em um caso judicial, levando as famílias a recorrerem à Justiça para reivindicar o que deveria ser um direito básico.
Dados do Instituto de Habitação de Foz do Iguaçu (Fozhabita) revelam que atualmente existem 8.685 famílias cadastradas no sistema habitacional. Desses, 3.732 têm suas situações atualizadas e estão aptas a participar de seleções para a moradia popular. Contudo, a gestão municipal não consegue estabelecer um prazo médio para o atendimento, uma vez que o cadastro não funciona como uma fila organizada e a liberação das moradias depende da disponibilidade de novos empreendimentos, conforme as diretrizes de cada programa.
Além disso, a prefeitura ainda não conseguiu mapear as condições de vida de moradores em ocupações irregulares. Um levantamento está em andamento, com esforços para selar e mapear essas áreas, um trabalho que exige tempo e recursos. O último censo realizado pelo IBGE, em 2022, indicou que 8% da população de Foz do Iguaçu reside em favelas e comunidades urbanas, totalizando 22.741 pessoas.
O déficit habitacional tem raízes na expansão desordenada que ocorreu entre as décadas de 1970 e 1980, agravado por políticas públicas ineficazes. Atualmente, o problema é ampliado pela nova dinâmica do setor imobiliário, que inclui plataformas digitais para locação temporária e a expansão das periferias. Isso resulta em aluguéis altos, comparáveis aos de grandes capitais, enquanto a fila para aquisição da casa própria continua a ser lenta e insuficiente.
Consequentemente, muitas famílias enfrentam dificuldades financeiras para arcar com o aluguel, levando-as a ocupar irregularmente imóveis ou a viver em condições precárias nas ruas. A situação em Foz do Iguaçu reflete um quadro de necessidade urgente de soluções habitacionais que atendam à demanda da população, garantindo o direito à moradia digna para todos.





