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Bolívia declara estado de exceção após protestos e celebra Ano Novo Andino

Após mais de 50 dias de bloqueios de estradas, a Bolívia declara estado de exceção e inicia a celebração do Ano Novo Andino. Milhares de pessoas participam...

A Bolívia vive um momento de transição após a declaração de estado de exceção, que foi implementada para encerrar mais de 50 dias de protestos sociais e bloqueios de estradas que isolaram La Paz e outras regiões do país. A situação começou a mudar com a celebração do Ano Novo Andino, um evento que envolve oferendas à Pachamama e ocorre durante o solstício de inverno no Hemisfério Sul.

Na madrugada do domingo (21), milhares de bolivianos se dirigiram às montanhas ao redor de La Paz para receber os primeiros raios de sol, que, segundo a cosmovisão andina, são considerados carregados de energia cósmica. Embora a crise social e a escassez de combustível tenham afetado a participação, a tradição foi mantida, refletindo a resiliência cultural da população.

Após a declaração do estado de exceção pelo presidente Rodrigo Paz, os bloqueios de estradas começaram a ser gradualmente removidos. Um dos principais sindicatos rurais, que havia liderado os protestos, anunciou uma pausa nas mobilizações para permitir que seus membros participassem da celebração e para avaliar a situação nas próximas semanas.

A Assembleia Legislativa ratificou, por maioria, o decreto que institui o estado de exceção, o que demonstra o apoio institucional à medida. No entanto, o sindicato cocalero, alinhado ao ex-presidente Evo Morales, permanece em protesto, sendo acusado pelo governo de instigar as manifestações em busca de impunidade em uma investigação judicial relacionada a um suposto abuso de uma menor durante seu mandato entre 2006 e 2019. Morales, atualmente com 66 anos, resiste em sua base cocalera no Chapare desde 2024, sem comparecer à justiça.

As forças de segurança estão atuando para desobstruir as rotas, mas ainda não conseguiram acessar a região do Chapare, onde os bloqueios continuam. Os sindicatos cocaleros mantêm controle sobre essa área, que também é conhecida por operar máfias ligadas ao narcotráfico, conforme relatado pelas autoridades.

Durante o período de conflito, centenas de caminhões ficaram presos nas estradas, e os motoristas conseguiram retornar para casa no dia anterior. Empresários estimam que as perdas econômicas superam US$ 2 bilhões, enquanto as cidades enfrentam desabastecimento de combustíveis e alimentos, complicando a já difícil recuperação econômica do país, que enfrenta a pior crise econômica em quatro décadas.

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