A música do hino nacional ressoa, troféus reluzem sob as luzes e os pilotos, exaustos, mas cheios de alegria, ocupam o degrau mais alto do pódio. O som característico de uma rolha sendo retirada se destaca, seguido por um jato espumante que molha macacões, capacetes e, simbolicamente, a história do esporte. Mas você sabia que a tradição de celebrar com champanhe no pódio da Fórmula 1 e outras competições tem uma origem curiosa, marcada por um evento inesperado?
Essa prática, que hoje parece uma formalidade, surgiu de maneira espontânea durante a icônica corrida das 24 Horas De Le Mans, em 1967. O piloto americano Dan Gurney, ao lado de A.J. Foyt, conquistou uma vitória histórica para a Ford, superando a Ferrari. Ao receber a garrafa de Moët & Chandon no pódio, Gurney, contagiado pela emoção do momento, decidiu agitar a garrafa, que estava sob pressão devido ao calor e à celebração.
O gesto impulsivo de Gurney, que olhou para os fotógrafos e para o CEO da Ford, Henry Ford II, resultou em uma explosão de champanhe que se tornou icônica. Essa imagem, capturada naquele instante, rapidamente se espalhou pelo mundo, e no ano seguinte, Jackie Stewart repetiu o ato ao vencer o Grande Prêmio da França de Fórmula 1. Assim, a tradição começou a se consolidar.
Embora o ato de banhar-se em champanhe tenha sido uma invenção de Gurney, a bebida já fazia parte das premiações. A tradição de presentear o vencedor com uma garrafa de champanhe remonta ao Grande Prêmio da França de 1950, em Reims, onde o lendário Juan Manuel Fangio foi brindado com a bebida como parte de sua celebração.
O que Gurney fez em Le Mans foi transformar o champanhe, símbolo de luxo, em um emblema de celebração e euforia. A Fórmula 1 adotou essa nova prática rapidamente, tornando-a tão essencial quanto a bandeira quadriculada. A imagem de um piloto sorridente e encharcado de champanhe no pódio se tornou a representação máxima do sucesso no automobilismo.
A força desse gesto se espalhou além da Fórmula 1, influenciando outras categorias como a MotoGP, a IndyCar e a NASCAR, que também incorporaram suas próprias versões da celebração. O ato de estourar espumante se converteu em uma linguagem universal no universo das corridas, simbolizando o reconhecimento do esforço e da dedicação dos pilotos.





