Com a chegada do inverno em diversas regiões do mundo, muitas pessoas começam a enfrentar espirros, nariz entupido e sensação constante de congestão nasal. Embora seja comum atribuir esses sintomas a resfriados sazonais ou à presença de pólen liberado por plantas, nem sempre a causa está relacionada apenas às alergias. Quando a congestão persiste por longos períodos e parece não melhorar, pode haver fatores menos evidentes envolvidos, alguns dos quais estão relacionados ao funcionamento do próprio organismo.
Uma das possíveis causas é a intolerância à histamina. A histamina é uma substância produzida pelo sistema imunológico e desempenha papel importante nas reações alérgicas. Em condições normais, uma enzima chamada diamino-oxidase, conhecida pela sigla DAO, é responsável por degradar a histamina presente no intestino. Entretanto, quando essa enzima não funciona adequadamente, a substância pode se acumular em níveis elevados no organismo, provocando diversos sintomas. Entre eles estão diarreia, distensão abdominal, prisão de ventre, dores abdominais, dores de cabeça, tonturas e congestão nasal.
Muitos alimentos possuem naturalmente altas concentrações de histamina ou estimulam sua liberação pelo organismo. Entre eles estão alimentos fermentados, conservas, tomates, frutas cítricas, abacate, frutas secas, cogumelos, peixes defumados, produtos que contêm vinagre, alimentos em conserva, iogurtes e comidas muito condimentadas. Bebidas alcoólicas, banana, mamão, chocolate e gérmen de trigo também podem favorecer a liberação de histamina. Como ainda não existe um exame específico amplamente utilizado para diagnosticar essa condição, ela costuma ser considerada após a exclusão de outras doenças ou alergias. Em alguns casos, a adoção de uma dieta com baixo teor de histamina e, sob orientação médica, o uso de suplementos contendo a enzima DAO podem ajudar no controle dos sintomas.
Outra causa frequentemente negligenciada é a exposição ao mofo. Os fungos liberam esporos microscópicos no ambiente, capazes de irritar as mucosas do nariz e da garganta, provocando congestão crônica. Em situações mais graves, a exposição prolongada pode estar associada a fadiga intensa, dificuldade de concentração, dores musculares e articulares, alterações do sono e outros processos inflamatórios. Em algumas pessoas, pode ocorrer a síndrome de ativação dos mastócitos, condição que favorece reações alérgicas intensas e repetidas.
Locais úmidos, como áreas com vazamentos em tubulações, infiltrações no telhado ou regiões onde a água costuma se acumular, favorecem o desenvolvimento do mofo. Caso exista suspeita de contaminação no ambiente doméstico, é recomendável buscar avaliação especializada para identificar e eliminar a fonte do problema. O tratamento pode incluir lavagem nasal com soluções salinas, medidas para reduzir a exposição às toxinas produzidas pelos fungos e acompanhamento médico especializado, uma vez que a recuperação costuma ser gradual e requer cuidados individualizados.
Deficiências nutricionais também podem influenciar a saúde respiratória. Vitaminas, minerais e outros nutrientes desempenham papel essencial no funcionamento do sistema imunológico. Entre eles, a vitamina D merece destaque, pois sua deficiência tem sido associada a casos de congestão nasal persistente.
A principal fonte dessa vitamina é a exposição adequada à luz solar, embora ela também possa ser encontrada em alguns alimentos, como fígado bovino, cogumelos, sardinhas e produtos enriquecidos. Quando os níveis estão baixos, a suplementação pode ser necessária, sempre com orientação de um profissional de saúde.
Desequilíbrios na microbiota intestinal, conjunto de bactérias benéficas que habitam o intestino, também podem contribuir para a congestão crônica. Estresse, alimentação inadequada, uso frequente de antibióticos e outros fatores podem reduzir a quantidade dessas bactérias benéficas, favorecendo o crescimento de microrganismos prejudiciais. Além dos sintomas respiratórios, alterações na microbiota podem estar associadas a inchaço abdominal frequente, alterações no funcionamento intestinal, mau hálito persistente e desejo excessivo por alimentos ricos em açúcar.
Nesses casos, recomenda-se priorizar uma alimentação rica em fibras, antioxidantes e micronutrientes, incluindo frutas, verduras, legumes, leguminosas e alimentos fermentados. O uso de probióticos pode ser considerado em algumas situações, sempre com orientação profissional.
Os produtos lácteos também podem estar relacionados à congestão em algumas pessoas. A lactose, açúcar naturalmente presente no leite e em seus derivados, pode favorecer o espessamento do muco e aumentar a irritação das vias respiratórias, mesmo em indivíduos que não apresentam sintomas digestivos. Quando a lactose é a responsável pelo problema, os sintomas geralmente se intensificam entre 20 minutos e uma hora após o consumo desses alimentos.
Uma forma simples de avaliar essa possibilidade é suspender temporariamente os laticínios por cerca de duas semanas e observar se há melhora dos sintomas. Caso seja necessário restringir esses alimentos por períodos prolongados, é importante garantir a ingestão adequada de nutrientes como proteínas, cálcio e fósforo por meio de outras fontes alimentares.
Alimentos com potencial inflamatório também podem contribuir para a produção excessiva de muco. Produtos altamente processados, como pães refinados, bolos industrializados, doces e bebidas ricas em açúcar, podem estimular processos inflamatórios no organismo e desencadear respostas do sistema imunológico que favorecem a congestão nasal. Manter um diário alimentar, registrando o que foi consumido e como o organismo reagiu, pode ajudar a identificar possíveis gatilhos. Ao mesmo tempo, alimentos reconhecidos por suas propriedades anti-inflamatórias, como peixes ricos em gorduras saudáveis, vegetais de folhas verdes e frutas vermelhas, podem ser aliados na redução dos sintomas.
A gravidez também pode ser uma causa pouco conhecida de nariz entupido persistente. Além de sintomas mais conhecidos, como náuseas e aumento da frequência urinária, muitas gestantes desenvolvem uma condição chamada rinite gestacional. Ela é provocada pelas alterações hormonais próprias da gravidez, principalmente pelo aumento dos níveis de estrogênio e progesterona, que promovem dilatação dos vasos sanguíneos do nariz e aumento da produção de muco.
Esse quadro costuma ser mais comum no terceiro trimestre e geralmente desaparece nas primeiras semanas após o parto. Durante a gestação, medidas simples como dormir com a cabeça levemente elevada, manter uma boa hidratação e praticar exercícios físicos autorizados pelo médico podem ajudar a aliviar os sintomas. Soluções salinas e outros tratamentos também podem ser recomendados, sempre sob orientação médica, já que nem todos os medicamentos são seguros nesse período.
Em resumo, a congestão nasal persistente nem sempre está relacionada apenas a alergias ou a resfriados. Em muitos casos, ela pode ser um sinal de alterações mais profundas envolvendo a alimentação, o ambiente, a imunidade e até mudanças hormonais.
Observar padrões relacionados aos sintomas e procurar avaliação médica quando eles se tornam frequentes ou prolongados é fundamental para identificar a verdadeira causa do problema. Dessa forma, é possível não apenas aliviar temporariamente o desconforto, mas também tratar os fatores subjacentes e obter uma melhora mais duradoura na qualidade de vida.
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Fonte:Paraná Jornal







