Neste sábado, 16, apoiadores do ex-presidente boliviano Evo Morales ocuparam o aeroporto de Chimoré, localizado na região do Trópico de Cochabamba. A ação foi motivada pela tentativa de impedir a prisão do político, que enfrenta três mandados de detenção emitidos pela Justiça da BOLÍVIA. O líder dos manifestantes, Teófilo Sánchez, declarou que as bases estão dispostas a defender seu líder a qualquer custo, mesmo que isso signifique arriscar vidas.
Os invasores espalharam pedras, galhos e outros objetos ao longo da pista de pouso, dificultando a chegada de aeronaves. Evo Morales, que já foi presidente do país, está sob investigação criminal por acusações de estupro e tráfico de pessoas, relacionadas ao suposto abuso de uma adolescente em 2015. Ele nega todas as acusações e afirma que há um plano internacional para sua captura, alegando envolvimento da agência antidrogas dos Estados Unidos.
A situação no país se agravou nos últimos dias, com grupos radicais bloqueando estradas há 16 dias, isolando completamente a capital, La Paz. Essa tática gerou uma grave escassez de alimentos, medicamentos e combustíveis, além de afetar o fornecimento de oxigênio nos hospitais. Tragicamente, pelo menos três mulheres morreram devido à impossibilidade de receber atendimento médico de urgência em meio à crise.
Os efeitos dos bloqueios se estendem a outras regiões, como Oruro, Santa Cruz e Cochabamba. O porta-voz da Presidência, José Luis Gálvez, criticou a crescente violência e alegou que o narcotráfico está por trás das ações dos líderes dos protestos, acusando Evo Morales de tentar desestabilizar a democracia.
Durante os confrontos, manifestantes atacaram policiais e jornalistas com explosivos, especialmente nas áreas rurais de Lipari e Huajchilla, ao sul de La Paz. A polícia respondeu com gás lacrimogêneo na tentativa de dispersar os grupos e liberar as rodovias. A Defensoria do Povo informou que 57 pessoas foram presas durante os protestos deste sábado.
Em resposta à crescente violência, o governo mobilizou um contingente de 3,5 mil policiais e militares, com o objetivo de restaurar a ordem e garantir o abastecimento de produtos básicos no país, que se encontra em uma situação crítica.







