A Corregedoria da Brigada Militar decidiu afastar oito policiais militares envolvidos em um caso de tortura contra um homem de 38 anos, ocorrido em Torres, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul. Os agentes são acusados de agredir fisicamente a vítima e de inserir drogas em seu veículo para forjar um flagrante de tráfico de entorpecentes.
O incidente, que aconteceu em maio de 2025, veio à tona após a descoberta de vídeos em um celular de um dos policiais, que mostram as agressões e a manipulação de provas. O grupo foi indiciado por tortura, fraude processual e falsidade ideológica, com o afastamento dos policiais sendo confirmado apenas nesta semana.
Na ocasião, a vítima estava sob monitoramento da Força Tática do Pelotão de Torres sem autorização legal. Durante a abordagem na Estrada do Mar, os policiais não encontraram substâncias ilícitas, o que desencadeou uma série de agressões violentas contra o homem. Relatos indicam que ele sofreu socos e chutes após a revista inicial negativa.
Os vídeos anexados ao inquérito revelam ameaças de morte e ações violentas dos policiais. Em um dos momentos, um dos agentes é ouvido ameaçando quebrar os dentes da vítima e afirmando que o mataria dentro da viatura. Diante da falta de evidências que justificassem uma prisão, os policiais solicitaram apoio de colegas que, posteriormente, levaram porções de maconha para serem colocadas no carro da vítima.
As consequências das agressões foram severas, resultando em uma fratura na mandíbula do homem. Devido à fraude processual, ele ficou preso injustamente por três meses. Sua soltura só ocorreu após a defesa conseguir acesso aos vídeos que comprovavam as irregularidades, resultando na expedição do alvará de soltura pela Justiça.
Os oito policiais afastados agora enfrentam processos em duas frentes. A Brigada Militar está conduzindo uma investigação administrativa para determinar a responsabilidade dos agentes e sua permanência na corporação. Ao mesmo tempo, eles responderão criminalmente perante a Justiça Militar pelos crimes de tortura e falsificação de provas.







