Um Ano Após a Tragédia em Vinhedo: Famílias Buscam Respostas e Justiça na Queda do Voo Voepass

Um ano se passou desde o trágico acidente aéreo da Voepass em Vinhedo, interior de São Paulo, que ceifou a vida de 62 pessoas. Neste sábado, familiares e amigos das vítimas se reúnem no local da queda para uma cerimônia de homenagem, buscando conforto e, acima de tudo, respostas sobre o que realmente aconteceu. A dor da perda ainda é palpável, e a busca por justiça permanece como um farol em meio à escuridão da tragédia.
A cerimônia, cuidadosamente organizada, contará com a presença de autoridades civis e militares, equipes de resgate e voluntários que atuaram incansavelmente nos esforços de busca e salvamento. O evento incluirá um ato ecumênico, homenagens públicas e o plantio simbólico de árvores, representando a esperança e a transformação do luto em um legado de memória. Placas de honra ao mérito serão entregues aos voluntários e profissionais que se dedicaram às operações de resgate, em reconhecimento ao seu serviço.
As investigações do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) revelaram detalhes cruciais sobre os momentos que antecederam a queda. O relatório preliminar indica que o sistema de detecção de gelo foi ativado durante o voo, e o sistema de degelo foi acionado e desativado diversas vezes, um comportamento que chamou a atenção dos investigadores. Além disso, a aeronave emitiu alertas de baixa velocidade e desempenho degradado, culminando na perda de controle e na queda em espiral.
Especialistas em segurança de aviação apontam para a complexidade da situação. Roberto Peterka, especialista na área, destacou que os alarmes de gelo foram acionados múltiplas vezes antes da queda, sugerindo um problema persistente. “Nesse caso específico, ele foi ligado três vezes e automaticamente ele deve ter sido desligado, provavelmente devido aos pilotos terem constatado que ele surtiu efeito e tirou o gelo da sala”, explicou Peterka. Ele também mencionou que os pilotos estavam envolvidos em comunicações com o controle de tráfego aéreo e a manutenção, o que pode ter contribuído para a distração.
A Polícia Federal continua a coletar depoimentos e aguarda a conclusão do inquérito para determinar se houve falha humana ou negligência por parte da empresa. A investigação busca entender se a conduta de profissionais da Voepass contribuiu para o acidente. O relatório do CENIPA já indicou os fatores que levaram à queda, mas a PF busca determinar se houve responsabilidade criminal.
Enquanto as investigações prosseguem, as famílias das vítimas clamam por justiça e transparência. Adriana Ibba, mãe de uma das vítimas, expressou a dor e a luta da associação das famílias. “Hoje eu luto para que nenhuma outra Liz seja colocada na situação que a minha filha foi. Para que a gente possa pegar um avião e ter segurança”, afirmou Ibba, destacando a importância de garantir a segurança dos passageiros e evitar que tragédias como essa se repitam.
A Voepass Linhas Aéreas divulgou uma nota oficial, classificando o acidente como o “episódio mais difícil” de sua história. A empresa expressou solidariedade às famílias das vítimas e afirmou que continua prestando apoio psicológico e logístico, além de colaborar com as investigações. A companhia reafirmou seu compromisso com a segurança e a apuração dos fatos, buscando contribuir para a melhoria contínua dos processos de segurança aérea.
Fonte: http://ric.com.br