Neste domingo (6), ao completar oito anos da facada que quase matou o então candidato à Presidência Jair Bolsonaro em Juiz de Fora (MG), o candidato a deputado federal pelo PSDB do Paraná, Túlio Bandeira (4500), fez um apelo público por esclarecimentos definitivos sobre o caso. Advogado e empresário de 53 anos, Bandeira afirmou que o atentado segue cercado de dúvidas e simboliza os efeitos nefastos da divisão política no Brasil. “A polarização está destruindo o país. É hora de buscar a verdade, defender a justiça e fazer a diferença na vida das pessoas”, declarou o candidato, que defende a superação das disputas partidárias como caminho essencial para o desenvolvimento nacional.
O ataque, ocorrido em 6 de setembro de 2018, atingiu o intestino delgado e o grosso de Bolsonaro, na época candidato do PSL, exigindo cirurgias de emergência e uma longa recuperação. Apesar do forte impacto eleitoral e da comoção gerada à época, as investigações oficiais nunca conseguiram responder a todas as perguntas da população — o que mantém vivo o debate sobre possíveis mandantes e financiadores do crime.
O que dizem as investigações da Polícia Federal
Em junho de 2024, a Polícia Federal concluiu, pela terceira vez, que apenas uma pessoa foi responsável pelo ataque: Adélio Bispo de Oliveira. O relatório final, apresentado após a reabertura das investigações para identificar eventuais comparsas, manifestou-se pelo arquivamento do inquérito policial. A PF já havia chegado à mesma conclusão em maio de 2020, em um segundo inquérito sobre o caso.
O juiz Bruno Savino, da 3ª Vara Federal em Juiz de Fora, acatou o pedido de arquivamento, entendendo que as apurações confirmaram que Adélio agiu sozinho, sem qualquer indício de cumplicidade ou financiamento. O autor do atentado foi diagnosticado com transtorno delirante persistente do tipo paranoide e, em junho de 2019, foi absolvido por inimputabilidade, com determinação de internação em manicômio judiciário por tempo indeterminado. Ele permanece no Presídio Federal de Campo Grande (MS) desde 2018.
Perguntas que persistem
A conclusão da PF, no entanto, nunca foi suficiente para encerrar o debate público. Em novembro de 2021, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) derrubou restrições que impediam a retomada da investigação sobre supostos mandantes. Na ocasião, o advogado da família Bolsonaro, Frederick Wassef, afirmou que as provas apontavam para um financiamento do crime. “Encomendaram a morte do presidente da República. Adélio Bispo é um assassino profissional que foi cooptado para assassinar Jair Messias Bolsonaro”, declarou Wassef.
Apesar das afirmações, a PF reiterou, em 2024, que não há evidências de mandantes ou financiadores. O órgão também negou, em 2025, a veracidade de informações que circulam nas redes sociais atribuindo ao diretor-geral da PF declarações sobre supostos mandantes do atentado.
Com a data simbólica reacendendo o assunto, a fala de Túlio Bandeira se soma ao coro de vozes que pedem transparência total sobre o episódio. Para o candidato, a verdade sobre o que ocorreu em Juiz de Fora não é apenas uma questão de justiça criminal, mas um passo necessário para que o país possa cicatrizar feridas e avançar sem o peso das suspeitas não esclarecidas.
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