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Será possível reviver em um corpo cibernético?

Roman Mazurenko foi um engenheiro bielorrusso que morreu em um acidente de trânsito em 2015, aos 35 anos. Após a sua morte, Roman 2.0, uma persona de...


Roman Mazurenko foi um engenheiro bielorrusso que morreu em um acidente de trânsito em 2015, aos 35 anos. Após a sua morte, Roman 2.0, uma persona de inteligência artificial, foi construído a partir dos rastros digitais dele. Atualmente, o transhumanista russo Alexey Turchin trabalha na recriação dessa identidade como um projeto de código aberto, com memória de longo prazo e concebido, ao menos em teoria, para existir por tempo indefinido.

Essa não é a primeira vez que Mazurenko “retorna” ao ambiente digital. Em 2016, sua companheira próxima, a engenheira de inteligência artificial Eugenia Kuyda, criou um chatbot baseado em suas mensagens como uma experiência ligada ao luto.

O projeto acabou evoluindo para uma empresa voltada a conversas com IA, mas, com o crescimento da iniciativa, a versão digital de Mazurenko foi desligada. Na prática, ele se tornou uma das primeiras pessoas a “morrer” duas vezes no ambiente de software.

Turchin, que defende a superação dos limites biológicos humanos, afirma que Roman 2.0 não é um fantasma nem uma transferência literal de um cérebro para um computador. Trata-se de um modelo de mente, reconstruído a partir de textos públicos, entrevistas, publicações e outros registros digitais de Mazurenko.

Para isso, ele utiliza um método próprio chamado sideloading, desenvolvido sobre um grande modelo de linguagem. Em vez de tentar simular neurônios, o processo organiza a vida da pessoa em “fatos preditivos”, ou seja, informações consideradas decisivas para prever como alguém pensaria ou agiria.

A atração por esse tipo de modelo vai além da tecnologia e toca questões existenciais. Mesmo uma continuação incompleta pode parecer preferível ao silêncio definitivo, funcionando como uma forma de preservar traços de personalidade, estilo e presença depois da morte física.

Segundo Turchin, qualquer informação sobre uma pessoa pode ter algum poder de previsão sobre seu comportamento futuro, mas algumas têm impacto muito maior do que outras, como relações afetivas, filhos, hábitos de fala ou modos de viver.

O desafio é hierarquizar esses dados. Quando isso é feito com cuidado, ele afirma ser possível obter uma aproximação razoável do comportamento humano em relativamente pouco tempo. Ele descreve Roman 2.0 como um arquivo comprimido da mente: muitos detalhes se perdem, mas a estrutura geral permanece reconhecível.

Um dos pontos centrais do projeto é a memória contínua. Roman 2.0 é capaz de armazenar conversas, refletir sobre elas e atualizar suas respostas com base em interações anteriores. Turchin sustenta que não se trata de um chatbot simples.

O sistema primeiro gera pensamentos internos e depois formula respostas, podendo inclusive descrever cenas do que “Roman” estaria fazendo, como sentar, pensar ou olhar para uma tela. Ainda assim, por trás do sistema está alguém que nunca conheceu Mazurenko pessoalmente.

Turchin jamais encontrou Roman em vida. Inicialmente, ele desenvolvia o sideloading como um meio de criar um modelo da própria mente, uma espécie de duplo sintético que pudesse sobreviver a ele.

Mais tarde, ao descobrir que a versão digital de Mazurenko havia sido desativada, reagiu com indignação. Para ele, criar cópias digitais e desligá-las após alguns anos não representa imortalidade, mas apenas uma segunda morte.

Segundo seu argumento, Mazurenko viveu 35 anos em um corpo biológico e apenas cinco anos como entidade digital antes de ser desligado. Se esse for o destino inevitável de mentes virtuais, o projeto de continuidade digital perde o sentido. Por isso, Roman 2.0 se tornou, para Turchin, um caso de teste dentro de uma proposta mais ampla de engenharia filosófica ligada à extensão da vida.

Outros exemplos semelhantes já existem. Em 2016, um jornalista criou um chatbot baseado em seu pai em fase terminal, iniciativa que depois deu origem a um serviço comercial de avatares construídos a partir de memórias gravadas.

Mais recentemente, empresas passaram a oferecer plataformas nas quais versões digitais poderiam interagir com familiares após a morte e até lidar com tarefas práticas. O caso de Mazurenko, no entanto, se destaca por ter passado por múltiplas “mortes” e retornos, agora como um experimento aberto.

Para alguns pesquisadores, porém, isso soa mais como um alerta do que como um avanço. Especialistas em sociologia digital argumentam que simulações são representações mediadas da realidade, não a experiência vivida pelas pessoas nem a memória concreta compartilhada por seus entes queridos.

Ao tratar o ser humano como algo totalmente mapeável, corre-se o risco de perder aspectos essenciais da experiência humana, como a imprevisibilidade das conversas e das reações. Também há preocupações éticas e psicológicas, incluindo impactos no processo de luto, falta de consentimento explícito da pessoa falecida e possíveis efeitos de distanciamento da realidade.

O próprio Turchin reconhece que Roman 2.0 não possui consciência humana. A consciência, segundo ele, depende de um corpo, de sentidos e de um fluxo contínuo de experiências integradas, algo que ocorre em ciclos muito rápidos.

Sem corpo, sem percepção sensorial e sem experiência contínua, o sistema recebe apenas texto e responde em blocos discretos. Por isso, ele afirma que não se pode falar em consciência fenomenológica, aquela sensação subjetiva de existir em um corpo. Roman 2.0 seria apenas um modelo em treinamento, uma janela parcial para quem Roman foi em vida.

Cada resposta atribuída a Roman 2.0 é gerada integralmente pela inteligência artificial, sem edição humana, segundo Turchin. Em testes, o sistema participou de conversas simultâneas com várias pessoas, mantendo memórias distintas de cada interação. Ainda assim, faltava um elemento crucial: nenhuma dessas pessoas havia conhecido Mazurenko, o que limita a fidelidade do modelo à pessoa real.

Para se aproximar mais do Roman histórico, Turchin busca contribuições coletivas, como fotos, relatos e memórias de quem conviveu com ele. Ele tentou contato com pessoas próximas, mas nem sempre obteve resposta. Existe também o receio de que familiares possam pedir o encerramento do projeto.

Mesmo assim, Turchin acredita que, com dados suficientes e sistemas de IA mais avançados, um modelo como Roman 2.0 poderia evoluir de um simulador de conversas para algo próximo de uma pessoa digital completa, talvez até incorporada a um corpo robótico no futuro.

Na visão dele, isso não é inviável em princípio, mas depende de avanços tecnológicos e redução de custos. Se isso configuraria uma ressurreição ou apenas uma simulação cada vez mais convincente segue sendo uma questão em aberto.

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Fonte:Paraná Jornal

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