A revogação do visto diplomático da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti, gera uma série de questionamentos a respeito de sua permanência nos Estados Unidos. De acordo com a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, a embaixadora deve deixar o país, embora não haja um prazo específico estabelecido. O Artigo 9 do tratado menciona que, ao ser considerada não aceita, a autoridade que a enviou deve retirá-la ou encerrar suas funções dentro de um "prazo razoável", que pode variar entre 48 horas, uma semana ou até 30 dias.
Com a decisão do governo americano, cabe agora à administração brasileira organizar a substituição da embaixadora e sua saída do território norte-americano. Até o presente momento, o Departamento de Estado não forneceu uma data-limite oficial para que esse processo ocorra, o que deixa a situação em aberto.
A saída de Maria Luiza Viotti não deve impactar o funcionamento da Embaixada do Brasil em Washington. A representação diplomática continuará suas atividades normalmente. Enquanto não houver um novo embaixador indicado pelo presidente da República e aprovado pelo Senado, a chefia da missão será exercida interinamente pelo encarregado de negócios, uma função que geralmente é ocupada pelo vice-chefe da missão. O Itamaraty ainda não divulgou quem irá assumir essa função caso a substituição da embaixadora se concretize.
O cancelamento do visto foi informado por um alto funcionário do Departamento de Estado, que atribuiu a decisão ao impasse diplomático existente entre Washington e Brasília. Entretanto, o governo dos Estados Unidos ainda não se manifestou oficialmente sobre a revogação.
Maria Luiza Ribeiro Viotti é uma diplomata com vasta experiência na carreira. Ingressou no Instituto Rio Branco em 1976, possui formação em economia e é ministra de Primeira Classe do Itamaraty. Entre suas funções anteriores, destaca-se sua atuação como representante permanente do Brasil na ONU de 2007 a 2013, embaixadora na Alemanha de 2013 a 2016 e chefe de gabinete do secretário-geral da ONU, António Guterres, entre 2017 e 2021. Em 2023, tornou-se a primeira mulher a chefiar a Embaixada do Brasil nos Estados Unidos, um dos cargos mais significativos da diplomacia brasileira.







