Neste domingo, 10, o Irã formalizou sua resposta à proposta apresentada pelos Estados Unidos para pôr fim ao conflito no Oriente Médio. A comunicação foi realizada através do governo do Paquistão, que tem atuado como mediador nas recentes interações entre Washington e Teerã, conforme informado pela agência estatal iraniana Irna.
A proposta norte-americana consiste em um memorando provisório com 14 pontos, que inclui a suspensão das hostilidades, mecanismos de segurança regional e um acordo temporário relacionado ao programa nuclear iraniano. Este último ponto representa um dos principais obstáculos nas negociações entre os dois países.
Os Estados Unidos demandam que o Irã interrompa o enriquecimento de urânio por até 20 anos, enquanto Teerã se mostra disposta a aceitar apenas uma suspensão limitada, que se estenderia por cinco anos, segundo fontes diplomáticas que foram consultadas. Além disso, a proposta americana contempla uma cláusula de extensão automática: caso o Irã retome o enriquecimento de urânio antes do término do período acordado, a restrição seria prorrogada.
Em contrapartida, Washington se comprometeria a suspender gradualmente as sanções econômicas e a liberar bilhões de dólares de ativos iranianos que estão bloqueados no exterior. No entanto, o discurso público de autoridades iranianas indica uma resistência considerável às exigências da Casa Branca. Na quarta-feira, 6, Ebrahim Rezaei, deputado e porta-voz da Comissão de Segurança Nacional e Política Externa do Parlamento do Irã, descreveu a proposta revelada pela imprensa dos EUA como uma “lista de desejos dos norte-americanos”.
Rezaei intensificou suas declarações, afirmando que o Irã está pronto para responder a provocações. “Se não se renderem e não fizerem as devidas concessões, ou se eles próprios ou seus ‘cães’ fizerem alguma provocação, daremos uma resposta dura e lamentável”, declarou. Tal postura ocorre em um contexto de crescente instabilidade no Golfo Pérsico, onde embarcações comerciais relataram ataques nas últimas semanas.
Relatórios de Inteligência que circulam na imprensa internacional demonstram preocupações acerca dos estoques de urânio armazenados em instalações subterrâneas fortificadas, que são consideradas de difícil destruição militar. O governo iraniano, por sua vez, mantém que seu programa nuclear tem propósitos civis e rejeita aceitar restrições permanentes impostas sob pressão militar.







