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Resgate de mulher revela quatro décadas em situação análoga à escravidão em SP

Uma mulher de 50 anos foi resgatada após 40 anos em condições de trabalho análogo à escravidão na zona leste de São Paulo. A ação foi realizada...

Uma mulher de 50 anos foi resgatada na zona leste de São Paulo após 40 anos vivendo em condições análogas à escravidão. O resgate ocorreu durante uma operação conjunta do Ministério Público de São Paulo (MPSP), da Polícia Federal (PF) e da Polícia Civil, na manhã de quinta-feira, 27 de agosto de 2026.

A resgatada trabalhava em uma residência na região desde os 10 anos, quando começou a realizar serviços domésticos sem qualquer remuneração. De acordo com a denúncia recebida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), a mulher era responsável por tarefas como cozinhar, lavar roupas e limpar a casa, além de cuidar do jardim.

Desde o início de sua jornada de trabalho, a mulher relatou ter enfrentado uma infância marcada por vulnerabilidade social, sendo a única responsável por cuidar de seis filhas. Quando uma de suas irmãs deixou a residência, a mulher foi convidada a ocupar seu lugar. Desde o início, ela acordava às 6h da manhã para realizar suas atividades, que eram interrompidas apenas durante o período escolar. Após as aulas, retornava ao trabalho sem receber pagamento.

O argumento apresentado pelos patrões para a contratação da mulher era de que ela poderia morar na casa em troca de seus serviços. No entanto, conforme a denúncia, a moradia oferecida era precária, com mofo e infestação de cupins, e a mulher não tinha acesso à chave do portão da casa há cerca de dez anos. Isso a impedia de sair e entrar livremente, limitando seu acesso a alimentos, uma vez que sua residência não possuía uma cozinha própria.

Além das tarefas domésticas, a mulher também trabalhou em um consultório odontológico da família, onde atuou de forma contínua de 2012 a 2020. Nesse período, ela não tinha registro formal e recebia uma remuneração total que variava entre R$ 150,00 e R$ 800,00 por mês, frequentemente atrasada. Sua função no consultório incluía não apenas a limpeza, mas também tarefas administrativas, como cobrar pacientes e auxiliar em procedimentos cirúrgicos.

Após o fechamento da clínica, a mulher continuou recebendo valores esparsos ao longo dos anos, que não ultrapassaram R$ 1,2 mil. O caso evidencia a exploração e condições degradantes enfrentadas por trabalhadores em situações semelhantes, destacando a necessidade de atenção e fiscalização das autoridades competentes.

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