O governo do Reino Unido solicitou à FIFA a realização de uma investigação a respeito de um ato político cometido por jogadores argentinos durante a semifinal da Copa do Mundo. Em correspondência encaminhada à entidade, foi sugerido que os atletas que ergueram uma faixa com a mensagem 'As Malvinas são argentinas' deveriam ser suspensos da final do torneio.
Ed Davey, líder dos Democratas Liberais, destacou a semelhança com o caso de jogadores espanhóis, Rodri e Morata, que foram punidos pela UEFA por entoarem cânticos relacionados a Gibraltar Espanhol. O secretário de Negócios do Reino Unido, Peter Kyle, também se pronunciou sobre a situação, considerando o comportamento dos jogadores argentinos como totalmente inadequado e pedindo uma apuração rigorosa do ocorrido.
De acordo com o código disciplinar da FIFA, é proibido exibir mensagens de natureza política, ideológica, religiosa ou ofensiva em competições esportivas, com penalidades que podem variar entre 5.000 e 20.000 dólares. Em junho de 2014, antes da Copa do Brasil, a federação argentina foi multada em 30.000 francos suíços após jogadores exibirem a mesma faixa nas proximidades de um amistoso em Buenos Aires.
Um caso semelhante aconteceu com o jogador sul-coreano Park Jong-woo, durante os Jogos Olímpicos de Londres 2012, quando ele entrou em campo com uma faixa que fazia referência a uma disputa territorial com o Japão. Como consequência, Park foi suspenso por dois jogos nas eliminatórias para a Copa de 2014.
O presidente da Argentina, Javier Milei, manifestou apoio aos jogadores, embora tenha enfatizado a necessidade de manter a política separada do esporte. Milei reconheceu o sentimento nacionalista presente entre os argentinos, mas afirmou que a recuperação das Malvinas se daria através de meios diplomáticos. Ele também mencionou que, se o pior cenário se concretizasse, a Argentina poderia enfrentar uma multa de 30 mil dólares.
A Guerra das Malvinas, ocorrida em abril de 1982, surgiu em um contexto político conturbado em ambos os países. A ditadura militar argentina, enfrentando uma crise interna, viu a retomada do arquipélago como uma oportunidade para recuperar apoio popular. Do outro lado, o Reino Unido, sob a liderança de Margaret Thatcher, lidava com uma recessão acentuada e altas taxas de desemprego. Para a "Dama de Ferro", a resposta militar rápida representava uma chance de reafirmar o poder imperial britânico e melhorar sua popularidade. A superioridade militar da Inglaterra prevaleceu, levando à rendição argentina em junho do mesmo ano.







