A Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) está prestes a implementar uma iniciativa pioneira voltada para as jogadoras da seleção nacional. A proposta consiste em financiar o congelamento de óvulos das atletas em uma clínica particular, permitindo que elas possam preservar sua fertilidade e continuar suas carreiras sem interrupções. O programa está em fase de finalização e pode ser lançado ainda neste mês.
Essa nova medida representa um avanço significativo no contexto do futebol feminino Na Espanha, que nos últimos anos tem experimentado uma série de melhorias. Entre as conquistas estão a profissionalização das jogadoras, a licença-maternidade remunerada e mudanças nas premiações das competições internacionais, refletindo um compromisso crescente com a igualdade de gênero no esporte.
A meio-campista Alexia Putellas, uma das vozes mais respeitadas da seleção, já se manifestou sobre a proposta. Em uma entrevista, ela ressaltou a importância da iniciativa, afirmando que ela reconhece o dilema enfrentado pelas atletas entre o auge de suas carreiras e o relógio biológico. "Para mim, é um grande passo adiante porque a federação entende que você está servindo ao seu país contra o seu relógio biológico, que você não pode parar e não pode ser mãe porque precisa que seu corpo funcione", comentou Putellas.
A questão da proteção da fertilidade não é exclusiva do futebol. Outras modalidades esportivas, como o tênis, têm adotado medidas semelhantes. Em junho de 2025, a WTA implementou uma regra que visa proteger as atletas que precisem se afastar das competições para realizar procedimentos de preservação da fertilidade, como o congelamento de óvulos ou embriões.
O procedimento de vitrificação de óvulos, entretanto, envolve um alto custo financeiro. Na Espanha, o valor pode chegar a 5 mil euros, o que equivale a cerca de R$ 30 mil por ciclo, dependendo da clínica escolhida. Além disso, as atletas devem arcar com despesas adicionais, como os medicamentos hormonais, que podem somar cerca de 1.000 euros (aproximadamente R$ 6 mil). Após o procedimento, há também uma taxa anual de manutenção dos óvulos congelados, que pode custar cerca de 400 euros, ou R$ 2,4 mil.





