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Preocupação com a agonorexia e uso inadequado de canetas emagrecedoras

O uso indiscriminado de canetas emagrecedoras, como semaglutida e tirzepatida, pode levar à agonorexia, uma condição que causa a supressão extrema do apetite e desnutrição, segundo especialistas....

O conceito de agonorexia tem ganhado destaque devido ao uso crescente de canetas emagrecedoras, que contêm substâncias como semaglutida e tirzepatida. Embora não esteja oficialmente reconhecida nos manuais de psiquiatria, essa condição refere-se à supressão patológica do apetite provocada pelo uso inadequado desses medicamentos.

A endocrinologista e metabologista Eliane Dias JK alerta que o principal desafio não reside na eficácia das canetas, mas sim na forma como elas estão sendo integradas à cultura da busca por padrões estéticos muitas vezes inatingíveis. Segundo a especialista, os análogos de GLP-1 e GIP têm revolucionado a medicina metabólica, trazendo benefícios que vão além da simples perda de peso e que podem transformar a vida de pessoas com obesidade.

Entretanto, a utilização dessas medicações por indivíduos sem indicação clínica, apenas para perder alguns quilos ou manter um corpo considerado ideal, pode resultar em consequências severas. Essa prática pode levar à desnutrição, perda excessiva de peso e diminuição da massa muscular, além de fomentar uma relação disfuncional com a alimentação e dependência emocional.

As canetas emagrecedoras atuam sobre os mecanismos que controlam a fome e a saciedade, o que pode levar algumas pessoas a desenvolverem aversão à comida. Com isso, o desinteresse por se alimentar pode se intensificar, resultando em problemas de saúde que vão além da estética, como a fragilidade física e prejuízos metabólicos.

A médica enfatiza que muitos indivíduos focam apenas na redução do peso corporal, esquecendo que a saúde não é medida apenas pelo número na balança. A perda de massa muscular pode acarretar diminuição da força, comprometimento funcional e impactos negativos na qualidade de vida.

Eliane Dias JK acredita que o futuro para o uso dessas canetas é promissor, mas ressalta que a ampliação do acesso deve ser acompanhada de educação em saúde e uso responsável. O objetivo das terapias não é eliminar a fome completamente ou criar dependência da medicação, mas sim tratar doenças crônicas e melhorar a saúde metabólica, proporcionando mais qualidade de vida.

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