A Polícia Federal (PF) enviou um relatório ao Superior Tribunal Federal (STF) afirmando que não identificou crime por parte do jornalista e blogueiro Luís Pablo Conceição Almeida. O jornalista foi alvo de mandados de busca e apreensão, autorizados pelo ministro Alexandre de Moraes, após a publicação de uma reportagem que denunciava o suposto uso indevido de veículos oficiais pelo ministro do STF, Flávio Dino, e por sua família.
O documento da PF não conseguiu estabelecer com certeza que Luís Pablo recebeu dinheiro em troca da divulgação de matérias que eram desfavoráveis ao ministro. A investigação teve início após a veiculação de reportagens que indicavam o uso irregular dos carros oficiais por Flávio Dino e sua equipe no Maranhão.
Conforme o relatório, as informações que chegaram ao jornalista podem ter sido obtidas de maneira regular e repassadas a ele para publicação. A PF destacou que a conduta de um agente público que acessa dados sigilosos e os divulga pode ser considerada crime, mas não acusou o jornalista, que atua amparado pelo direito à liberdade de imprensa.
Embora tenha sido identificado um repasse de R$ 100.000,00 relacionado a pessoas próximas a Luís Pablo, a PF não conseguiu afirmar que esse valor se referia ao pagamento por suas reportagens. O relatório enfatizou a necessidade de uma análise mais aprofundada dos dados para validar essa conclusão.
A investigação da PF ainda requer mais tempo e a extração de informações de dispositivos móveis mencionados na Informação Policial, já que existem lacunas a serem esclarecidas sobre o caso.
Em 11 de agosto, Alexandre de Moraes autorizou buscas contra um ex-secretário do governo do Maranhão, apontado como uma possível fonte de Luís Pablo. As investigações se intensificaram após a PF obter dados do celular do jornalista. O ex-secretário Raimundo Cutrim foi identificado como a fonte das informações que resultaram nas matérias publicadas no Blog do Luís Pablo.





