Um brasileiro procurado internacionalmente pela Interpol foi flagrado aproveitando uma festa em uma piscina no litoral de Alagoas, ao lado de outro investigado por tráfico internacional de drogas. As imagens mostram Hernandes Oliveira da Silva, conhecido como Mike, acompanhado do colombiano German Anuar Cano Mendez, em uma casa à beira-mar na Praia de Barra de São Miguel.
Os registros foram divulgados em reportagens sobre as investigações da PF (Polícia Federal), que apura a atuação de uma organização criminosa envolvida no comércio internacional de cocaína. Os dois aparecem entre os investigados que continuam sendo procurados pelas autoridades.
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Segundo a investigação, Hernandes atuaria na estrutura logística da organização, enquanto German seria responsável por articulações com fornecedores estrangeiros. O grupo mantinha operações para adquirir, transportar e distribuir drogas, com carregamentos destinados principalmente ao mercado internacional.
As imagens da festa na piscina teriam sido registradas em fevereiro de 2025. Os encontros de integrantes da organização em locais de lazer também eram utilizados para comemorar a chegada de carregamentos de cocaína ao exterior.
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Operação internacional e milhões bloqueados
Hernandes e German passaram a ser alvos de uma nova mobilização internacional das autoridades durante a Operação Bifronte, deflagrada em 14 de outubro de 2026 pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado de Minas Gerais (FICCO/MG).
A operação cumpriu 46 mandados judiciais em Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Goiás, Santa Catarina e São Paulo. Foram expedidos 23 mandados de prisão, 20 de busca e apreensão e três de recolhimento domiciliar com monitoramento eletrônico.
A Justiça também determinou duas inclusões na difusão vermelha da Interpol e o bloqueio de até R$ 187 milhões em bens e valores relacionados a 69 pessoas físicas e jurídicas. A investigação aponta que a organização adquiria drogas provenientes da Bolívia e do Peru, transportava os entorpecentes e distribuía a carga em diferentes mercados.
Hernandes já forjou a própria morte para escapar da polícia
A trajetória de Hernandes inclui uma tentativa de despistar as autoridades que chamou a atenção dos investigadores. Em 2020, a Polícia Civil do Paraná descobriu que ele havia simulado a própria morte no Paraguai.
Para sustentar a farsa, foram produzidos documentos indicando que o brasileiro teria morrido em 22 de junho de 2020, em Assunção, vítima de infarto e insuficiência respiratória. Também foram providenciadas homenagens póstumas, publicação de notas de falecimento e até uma lápide em um cemitério.
A estratégia, entretanto, não funcionou. Hernandes foi localizado e preso em Canelones, no Uruguai, em julho de 2020, por agentes da Interpol. Na ocasião, utilizava documentos falsos e estava com mais de US$ 64 mil e 126 mil pesos uruguaios, valores que somavam aproximadamente R$ 351 mil na cotação da época.
Em 2022, ele foi extraditado para o Brasil e encaminhado ao sistema penitenciário do Paraná. Agora, voltou a aparecer entre os procurados em investigações sobre o tráfico internacional de drogas.
Investigação também envolve assassinatos no Paraná
Hernandes também foi investigado por envolvimento no duplo homicídio do ex-policial civil Samir Skandar e do funcionário dele, Alvari de Paula Silva. Os dois foram mortos em novembro de 2019, no Bairro Alto, em Curitiba.
Segundo a Polícia Civil, o crime estaria relacionado a conflitos internos de uma organização criminosa envolvida no tráfico internacional de cocaína. Hernandes foi apontado como uma das lideranças do grupo e suspeito de participação no planejamento dos assassinatos.
Ele também foi investigado pela morte do sérvio Marjan Jocic, cujo corpo foi encontrado em maio de 2020, em um lago de Campo Magro, na Região Metropolitana de Curitiba.
Natural de Santa Helena, no Oeste do Paraná, Hernandes é apontado pelas autoridades como um dos articuladores de uma estrutura criminosa com ramificações internacionais. As investigações atuais buscam localizar os dois brasileiros e estrangeiros envolvidos na organização e esclarecer a dimensão das operações de tráfico e lavagem de dinheiro.
Fonte:Paraná Jornal





