Na quarta-feira (29), o Congresso do Paraguai aprovou uma declaração de repúdio às declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a Guerra do Paraguai, conhecida no país como Guerra da Tríplice Aliança. Os parlamentares alegam que o presidente brasileiro "distorce e minimiza a dimensão histórica da guerra".
O Legislativo paraguaio enfatizou que Lula ignora a "complexidade dos antecedentes do conflito, o profundo sofrimento humano suportado pelo povo paraguaio e as consequências demográficas, econômicas, institucionais e territoriais que marcaram profundamente a trajetória da República do Paraguai".
A declaração do Congresso ressalta a importância de tratar os eventos históricos com "sensibilidade, responsabilidade histórica e espírito de reconciliação, honrando a verdade, a memória das vítimas e os princípios do direito internacional contemporâneo".
A reação do Congresso paraguaio foi motivada por um discurso de Lula proferido na última sexta-feira (24), durante um evento na fábrica da Avibrás, em Jacareí (SP). Na ocasião, o presidente mencionou que o Paraguai teria iniciado a guerra ao invadir o Brasil, além de outros países da região, como Uruguai e Argentina, justificando assim os investimentos do governo em defesa nacional.
"A gente não pode se esquecer que um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil, invadiu Corumbá, ao mesmo tempo invadiu o Uruguai, invadiu a Argentina e aquela guerra, que parecia que era nada, durou cinco anos", afirmou Lula.
As declarações do presidente brasileiro provocaram uma forte reação entre autoridades e parte da população do Paraguai. Estima-se que cerca de 70% da população paraguaia tenha morrido em decorrência do conflito.







