A Polícia Civil de São Paulo, em colaboração com o Ministério Público estadual, realizou uma operação nesta quinta-feira, 21, que resultou no bloqueio de R$ 327 milhões em bens e valores associados aos investigados, incluindo a influenciadora digital Deolane Bezerra. Além do bloqueio financeiro, as autoridades também sequestraram 17 veículos, entre os quais se encontram automóveis de luxo, e quatro imóveis relacionados ao grupo em investigação.
As investigações apontam para um suposto esquema de lavagem de dinheiro que teria conexões com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e pessoas próximas a Deolane Bezerra. Os investigadores identificaram movimentações financeiras de grande monta que não apresentavam compatibilidade econômica, além do uso de empresas de fachada e de contas bancárias para a circulação de recursos considerados suspeitos. A aquisição de bens de alto padrão para encobrir a origem ilícita dos fundos também está sob análise.
O avanço das apurações foi impulsionado pela análise de um celular apreendido em uma fase anterior da operação, que revelou conversas com indivíduos ligados à cúpula da facção criminosa, além de indícios de repasses financeiros. Em decorrência da operação, três investigados que estariam fora do Brasil, em países como Itália, Espanha e Bolívia, tiveram a inclusão solicitada na Lista Vermelha da Interpol, com o apoio da Polícia Federal e do Ministério Público para a localização e possíveis ações judiciais internacionais.
As investigações tiveram início em 2019, quando bilhetes e manuscritos foram apreendidos na Penitenciária II de Presidente Venceslau, interior de São Paulo. Os documentos indicavam a atuação de lideranças criminosas e possíveis ameaças a agentes públicos, o que levou as autoridades a aprofundar as investigações.
Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola e identificado como líder do PCC, é alvo de um mandado de prisão na operação, apesar de estar detido desde 19 de julho de 1999, sem interrupções. Marcola já havia sido capturado outras três vezes antes de sua prisão definitiva, conseguindo escapar em todas as ocasiões.
Deolane Bezerra, além de sua presença marcante nas redes sociais, possui um histórico de investigações. Em 2024, ela foi investigada pela Polícia Civil de Pernambuco, que apurava suspeitas de lavagem de dinheiro e exploração de jogos ilegais relacionados a plataformas de apostas. Naquela ocasião, ficou detida na Colônia Penal Feminina do Recife, mas obteve um habeas corpus para cumprir a pena em casa, com tornozeleira eletrônica e restrições ao uso das redes sociais. Essa medida foi posteriormente revogada pela Justiça por descumprimento das condições impostas.







