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Mudança de Rumos: a Ascensão da Direita na Política Sul-Americana

A recente vitória da direita na Colômbia e as eleições em andamento no Peru refletem uma mudança significativa no cenário político da América do Sul, evidenciando um...

A recente vitória da direita na Colômbia, com a posse de Abelardo de la Espriella em agosto de 2023, marca um novo capítulo na política da América do Sul, que tem visto um padrão de alternância de poder nos últimos trinta anos. Em um contexto em que, há quatro anos, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assumia sua terceira presidência no Brasil, a esquerda dominava a região com oito países sob liderança de presidentes alinhados a essa ideologia. Atualmente, a situação se inverte, com a direita governando em seis países: Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador e Paraguai.

A possibilidade de um aumento desse número para sete países depende do resultado das eleições no Peru, onde a candidata Keiko Fujimori mantém uma leve vantagem sobre Roberto Sánchez, representante da esquerda. Até o momento, 99,691% das urnas foram apuradas, o que indica uma disputa acirrada que pode alterar ainda mais o panorama político da região.

O movimento pendular em direção à direita começou a se intensificar em 2023, a partir da vitória de Javier Milei na Argentina, que desbancou o governo do ex-presidente Alberto Fernandéz. Essa guinada conservadora se consolidou com a reeleição de Daniel Noboa no Equador, além das vitórias de Rodrigo Paz na Bolívia e José Antonio Kast no Chile, todos países que anteriormente eram governados por lideranças de esquerda.

Com as eleições gerais se aproximando em outubro, o Brasil se torna o próximo foco de atenção. Lula busca a reeleição, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) desponta como seu principal adversário. A impopularidade do atual governo pode influenciar os resultados, uma vez que, segundo pesquisa do Datafolha, 38% dos entrevistados consideram o governo Lula ruim ou péssimo, embora ele ainda liderasse a preferência eleitoral.

A reconfiguração do mapa político sul-americano revela uma dinâmica histórica de alternância, embora existam exceções significativas. A Venezuela, por exemplo, viveu sob um regime autoritário desde o início dos anos 2000, com Hugo Chávez e, posteriormente, Nicolás Maduro no poder. Atualmente, a presidente Delcy Rodríguez, vista por muitos como uma figura controlada por interesses externos, representa a continuidade do movimento chavista, em um cenário que se distoa das recentes vitórias da direita na região.

Outra exceção notável é o Paraguai, que mantém um governo de direita ininterrupto desde 2015, ressaltando a diversidade das trajetórias políticas na América do Sul. O contexto atual, com a iminência de novas eleições e mudanças de governo, levanta questões sobre a continuidade desse movimento pendular e suas implicações para o futuro da política na região.

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