A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro está se preparando para anunciar sua candidatura ao Senado pelo Distrito Federal, uma decisão impulsionada pelo desejo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Essa movimentação ocorre em meio a uma crise familiar entre Michelle e seu filho primogênito, Flávio Bolsonaro, que também é candidato ao Palácio do Planalto pelo PL. Embora Michelle tenha considerado a possibilidade de não concorrer devido ao desgaste nas relações familiares, a expectativa é que ela confirme sua participação nas próximas semanas.
O anúncio deve ser feito por volta do dia 25 de julho, durante a convenção nacional do PL que acontecerá em São Paulo. Nesse evento, a legenda deverá oficializar a candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência. Até lá, a orientação para Michelle é que ela evite se expor publicamente, a fim de não exacerbar as tensões no clã Bolsonaro. No entanto, aliados afirmam que ela não hesitará em se manifestar caso sinta que está sendo atacada, como ocorreu quando elogiou a Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos, lançada pelo governo Lula, descrevendo-a como um “sonho realizado”.
A possibilidade de Michelle concorrer ao Senado gerou preocupação entre os integrantes da campanha de Flávio, que acreditam que essa disputa poderá intensificar os conflitos internos da família e criar novas divisões durante o período eleitoral. Embora a ex-primeira-dama nunca tenha declarado publicamente seu desejo de se candidatar, ela também não descartou essa opção anteriormente.
O desentendimento entre Michelle e Flávio tornou-se público nas últimas semanas, especialmente após a ex-primeira-dama divulgar um vídeo em que expõe suas divergências com o senador, relacionadas a estratégias eleitorais do PL. Em dezembro do ano passado, Michelle já havia criticado a decisão do diretório do PL no Ceará de apoiar a candidatura de Ciro Gomes ao governo do estado, o que levou Flávio a reagir nas redes sociais, acusando-a de desrespeitar a vontade do pai.
Michelle relatou ter se sentido “humilhada” e “maltratada” durante uma conversa telefônica com Flávio, que a aconselhou a se afastar das decisões do partido por considerar que ela não tinha a experiência necessária. Após a repercussão do vídeo, Flávio se desculpou publicamente com a madrasta, afirmando que nunca teve a intenção de ofender e caracterizou o episódio como uma “página virada”.
Recentemente, Michelle anunciou sua saída da presidência do PL Mulher, alegando que a decisão foi tomada para que ela pudesse se dedicar integralmente ao cuidado de Jair Bolsonaro e de sua filha. Essa saída ocorre em um contexto de tensões familiares e políticas, colocando em evidência o complexo relacionamento entre os membros do clã Bolsonaro.







