O Movimento Democrático Brasileiro (MDB) anunciou que não irá lançar candidatura própria à Presidência da República ou apoiar um candidato em 2026, decisão histórica desde a redemocratização do Brasil. Durante uma convenção nacional virtual realizada na segunda-feira (27), o partido optou por liberar seus diretórios estaduais para que possam negociar alianças locais, sem a necessidade de seguir uma coligação nacional.
Essa decisão permitirá que cada estado faça suas articulações focadas nas disputas para os governos estaduais e para o Senado, com o intuito de fortalecer a bancada do MDB na Câmara Federal. O objetivo é aumentar o número de deputados federais e, consequentemente, a fatia do partido nos fundos partidário e eleitoral.
Abrir mão da corrida presidencial representa uma mudança significativa, considerando a tradição e a estrutura do MDB. Nas eleições de 2024, a sigla elegeu 853 prefeitos em todo o país, ficando atrás apenas do PSD. No entanto, o partido viu sua representação no Congresso Nacional diminuir, contando atualmente com 38 deputados, o que o coloca como a 7ª maior bancada na Câmara Federal, após perder parlamentares na janela partidária de abril deste ano.
Dentro do partido, há um consenso de que os resultados das últimas tentativas de candidatura presidencial foram frustrantes, consumindo recursos e energia sem o retorno esperado, desviando o foco das atividades legislativas. Em 2022, o MDB lançou a senadora Simone Tebet em uma coligação com a Federação PSDB-Cidadania, mas ela terminou a eleição em terceiro lugar, obtendo apenas 4% dos votos válidos. Quatro anos antes, Henrique Meirelles, então ex-presidente do Banco Central, ficou em 7º lugar com menos de 2% dos votos.
Historicamente, o MDB já ocupou a Presidência da República sob a liderança de Michel Temer e participou dos governos de Lula e Dilma Rousseff entre 2003 e 2015. Com a nova estratégia, a sigla busca crescer no legislativo nas próximas eleições de 2026.
A decisão de não concorrer à Presidência foi baseada em uma análise das realidades políticas e do histórico eleitoral de cada estado. O estatuto do MDB permite que os diretórios estaduais tenham autonomia, o que confere maior poder às lideranças que tiveram melhor desempenho nas eleições anteriores.







