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Maioria democrata no Congresso dos EUA não deve reduzir pressão de Trump sobre o Brasil

Analistas avaliam que vitória do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato não altera tarifas nem pressões da Casa Branca contra o Brasil....

A vitória do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, confirmada pelas apurações das urnas, deve aumentar os obstáculos à agenda interna do presidente Donald Trump, mas não tem mecanismos institucionais para barrar tarifas, sanções e medidas contra outros países. É o que avaliam analistas ouvidos sobre o impacto da nova correlação de forças na relação entre Washington e Brasília.

Segundo os dados disponíveis, os democratas voltarão a controlar a Câmara dos Representantes, com 237 parlamentares contra 139 do lado republicano até agora, e o Senado, com 54 cadeiras contra 44 do partido de Trump. A definição ainda falta no Mississippi e no Alasca, onde a democrata Mary Peltola disputa voto a voto com o republicano Dan Sullivan. Até a noite desta quarta, 77% das seções já tinham sido apuradas, com uma diferença de 625 votos em favor da candidata. Os resultados mudarão a composição do Congresso a partir de 3 de janeiro de 2027. Hoje, os republicanos têm a maioria do Senado (53 cadeiras contra 49 dos democratas) e da Câmara (220 contra 215).

Para o economista Otaviano Canuto, ex-vice-presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) entre 2007 e 2009 e ex-diretor do Banco Mundial entre as décadas de 2000 e 2010, o Congresso mais democrata até modifica a capacidade de interlocução com o Itamaraty, mas não terá condições de mexer na política comercial de Trump, justamente onde estão as implicações mais fortes sobre a relação entre Washington e Brasília. Ele observa que a relação entre o parlamento dos EUA e a Casa Branca deve ficar mais conflituosa a partir do ano que vem, mas a falta de competências institucionais do próprio Congresso, que não interfere na política externa, manterá as pressões de Trump sobre o Brasil e outros países.

Lucas Leite, que leciona na Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), também é reticente. Na avaliação dele, se o governo Lula, que acabou de ser reeleito, tende a ganhar mais interlocução no Congresso democrata, sobretudo em temas onde o mandato petista tem afinidade com nomes do partido, como o caso do meio ambiente, isso não será suficiente para mudar a forma como Trump administra sua política externa. Ele até terá mais empecilhos, especialmente na América Latina, mas a vitória democrata nas urnas não anula a agenda trumpista, observa.

Os analistas lembram que as ferramentas usadas pelo presidente para criar pressões fogem da esfera de atuação do Capitólio, sede do Legislativo americano, e que o Brasil não será prioridade dos parlamentares eleitos. Eles devem agir, antes, para formar uma oposição mais robusta às políticas internas de Trump, sobretudo a de deportações, protagonizada pela agência federal de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês). Além disso, a maioria democrata no Congresso deverá concentrar suas críticas no impacto da guerra no Irã sobre a inflação americana, impulsionada pela alta dos preços do petróleo e do custo de vida, mais do que na agenda tarifária de Trump, que também contribuiu para encarecer a economia dos EUA. No acumulado dos 12 meses até setembro, a alta dos preços nos EUA foi de 3,6%. Em maio, ela chegou a 4,2%.

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