Emmanuel Macron gerou polêmica ao declarar, durante viagem à Índia na quarta-feira 18, que a liberdade de expressão nas redes sociais seria algo sem valor, classificando-a como 'besteira'. Ao propor como alternativa controles algorítmicos 'transparentes' para neutralizar discursos de ódio, o presidente questionou a essência do debate aberto sem censura, mesmo quando ofensivo.
O discurso contrasta com a tradição intelectual ocidental, que desde John Stuart Mill reconhece o debate de ideias como fundamental para o progresso social. Macron, que se autodenomina herdeiro de valores filosóficos franceses ligados à liberdade, sugere substituí-la por algoritmos que selecionariam quais discursos seriam permitidos, numa lógica de controle estatal sobre conteúdos.
A transparência prometida em algoritmos é criticada por especialistas, que afirmam que sistemas automatizados são naturalmente opacos e podem ser instrumentalizados para censura. A postura francesa expõe uma contradição: enquanto discute restrições nas redes, ainda utiliza as mesmas plataformas para divulgar suas críticas.
A posição do presidente reforça uma discussão sobre limites à expressão e o papel do Estado na regulação de conteúdos digitais, especialmente em um contexto de debates sobre liberdade e autoritarismo.






