A escritora portuguesa Lídia Jorge foi anunciada como a vencedora do Prêmio Camões 2026, um dos mais prestigiados prêmios literários da língua portuguesa. A autora receberá um prêmio no valor de 100 mil euros, o que equivale a aproximadamente R$ 598 mil, além de um diploma assinado pelos chefes de Estado do Brasil e de Portugal.
As edições anteriores do prêmio foram ganhas pela angolana Ana Paula Tavares, em 2025, e pela brasileira Adélia Prado, em 2024. Lídia Jorge é amplamente reconhecida como uma das figuras mais influentes da literatura contemporânea em Portugal, sendo sua obra marcada por profundas análises da história recente do país, reflexões sociais e a defesa dos direitos humanos.
O júri do prêmio destacou que a diversidade na obra de Lídia Jorge enriquece o patrimônio literário da língua portuguesa, trazendo experiências significativas do período da guerra colonial. O livro 'A Costa dos Murmúrios', publicado em 1988, é mencionado como uma obra fundamental que reflete sua vivência em Moçambique, desafiando narrativas tradicionais sobre a guerra colonial sob a perspectiva feminina.
No Brasil, as publicações de Lídia Jorge são realizadas pela editora Autêntica Contemporânea. Entre suas obras, destacam-se 'Misericórdia', que aborda temas como a velhice e a resistência à morte, e 'Diante da manta do soldado', lançado em 2025. A escrita de Lídia é caracterizada por uma prosa lírica e poética, que explora o passado ditatorial de Portugal, a condição feminina e as transformações sociais ao longo do tempo.
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, elogiou a escolha de Lídia Jorge, afirmando que sua obra representa uma das grandes vozes da literatura em língua portuguesa, contribuindo significativamente para a riqueza cultural dos países lusófonos.
Nascida em Boliqueime, no Algarve, em 18 de junho de 1946, Lídia Jorge se formou em Filologia Românica pela Universidade de Lisboa. Sua experiência durante a Guerra Colonial Portuguesa, ao viver em Angola e Moçambique, influenciou profundamente sua produção literária. O primeiro romance, 'O Dia dos Prodígios', lançado em 1980, quebrou com as convenções do realismo da época, inaugurando uma nova fase na literatura portuguesa.







