Ministros aposentados do Supremo Tribunal Federal (STF) estarão presentes, nesta terça-feira (15), no julgamento que determinará se o ministro Alexandre de Moraes será investigado devido à sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, no contexto do caso Master. A sessão extraordinária está agendada para as 10 horas, no horário de Brasília.
A participação dos ex-ministros acontece em um momento delicado, marcado por uma crise institucional que afeta o STF, às vésperas de uma decisão considerada crucial para a Corte. Em setembro, 13 ex-ministros enviaram uma carta ao presidente do STF, Edson Fachin, expressando plena confiança em sua capacidade de conduzir o tribunal diante da atual instabilidade.
No documento, os ex-integrantes do STF descreveram o momento como a “mais aguda crise de sua história”. A desconfiança da sociedade em relação ao tribunal, especialmente em relação a decisões monocráticas, foi um dos pontos destacados, assim como a disputa entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes.
Na mesma carta, os ministros aposentados reafirmaram a certeza de que Fachin levaria o caso ao plenário da Corte, o que ocorrerá nesta terça-feira. O conturbado cenário no STF é amplificado pela revelação de mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro, que foram obtidas após a derrubada do sigilo pelo relator do caso, André Mendonça.
As mensagens indicam uma relação próxima entre o ministro e o banqueiro, sendo que, na véspera da prisão de Vorcaro, em novembro de 2025, o empresário questionou Moraes sobre a possibilidade de deixar o país, ciente da investigação em curso na Operação Compliance Zero. Além disso, as mensagens revelaram detalhes sobre um contrato de R$ 131 milhões entre o escritório de advocacia da esposa de Moraes, Viviane Barci, e o Banco Master, levantando questões sobre conflito de interesse.
As evidências reunidas até o momento sugerem a prática de crimes como tráfico de influência e obstrução de Justiça, temas que o plenário do STF deverá analisar durante a sessão marcada para hoje.





