A esposa do desembargador aposentado Divoncir Schreiner Maran, Viviane Alves Gomes de Paula, é alvo de investigações da Polícia Federal (PF) devido à compra de uma mansão avaliada em mais de R$ 2,1 milhões, realizada exclusivamente com dinheiro vivo. Os indícios apontam que os pagamentos foram feitos em espécie a fornecedores e prestadores de serviços em Campo Grande (MS). A apuração do caso, que envolve transações financeiras não rastreáveis, foi divulgada recentemente.
Mensagens interceptadas pela PF revelaram que Viviane organizava encontros presenciais e carregava maços de notas em sua bolsa, evitando qualquer forma de transação bancária que pudesse ser monitorada. A reforma da mansão teve início em 2021, coincidentemente um ano após o marido ter concedido um habeas corpus que libertou o megatraficante Gerson Palermo, líder do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Os investigadores também encontraram indícios de que a mulher do desembargador realizava a entrega de valores em veículos, com o intuito de escapar da vigilância de câmeras. Em um trecho das conversas interceptadas, Viviane tenta negociar um desconto para o pagamento em dinheiro de uma compra de ferragens no valor de R$ 40 mil. O vendedor, surpreso com a proposta, qualificou a situação como "loucura" e informou que a empresa apenas aceitava pagamentos via Pix, boleto ou cartão de crédito.
Além disso, a quebra de sigilo telefônico revelou um acerto para a montagem de móveis planejados na residência, com o custo estipulado em R$ 650 mil. Para evitar qualquer suspeita, Viviane combinou de receber as notas na calçada do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), onde ela trabalhava. A PF confirmou em seu relatório que a origem dos recursos utilizados na construção da mansão ainda é desconhecida.
Em fevereiro deste ano, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) impôs ao desembargador Divoncir Maran a pena de aposentadoria compulsória, após o Processo Administrativo Disciplinar (PAD) ter comprovado que ele cometeu faltas graves ao conceder o benefício da prisão domiciliar a Gerson Palermo, condenado a 126 anos de reclusão por tráfico de drogas. A decisão foi baseada no fato de que Divoncir autorizou a soltura do traficante sem exigir um laudo médico que comprovasse a necessidade da medida, em um contexto de alegação de risco de infecção por covid-19. Após ser libertado, Palermo quebrou sua tornozeleira eletrônica e fugiu do Brasil, permanecendo na lista de procurados pelo governo federal.
A defesa de Divoncir Maran e de sua esposa emitiu um comunicado oficial negando qualquer irregularidade ou recebimento de vantagens financeiras ilegais durante o exercício da magistratura. Os advogados criticaram o vazamento das informações do inquérito e aguardam a liberação do acesso completo aos documentos para apresentar suas justificativas na Justiça. O escritório de advocacia ressaltou que qualquer avaliação prévia sobre o patrimônio da família é imprudente e desrespeita o direito de defesa dos envolvidos.







