Uma das peças ligadas à história de Curitiba está sendo restaurada no mês em que a cidade celebra Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, padroeira da capital, em 8 de setembro. A segunda imagem mais antiga da santa existente na cidade, produzida no século XVIII, passa pela etapa final do processo de recuperação e deve retornar ainda neste mês ao acervo do Museu de Arte Sacra da Arquidiocese de Curitiba (Masac).
Produzida em Portugal, a escultura foi encomendada em 1716 e chegou a Curitiba por volta de 1720 para a inauguração da antiga Igreja Matriz, no local onde atualmente está a Catedral Basílica Menor de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais. Com 87 centímetros de altura e cerca de 60 quilos, a peça permaneceu no altar até 1894, quando foi levada para a Lapa por um vigário transferido para o município. A imagem desapareceu durante décadas e foi localizada novamente em 1970, na residência de uma moradora da cidade.
O projeto de restauração começou a ser estruturado em 2022, quando o Masac estava fechado para obras. A iniciativa foi elaborada pela conservadora e restauradora Ana Eliza Caniatti e pelo produtor Gilmar Kaminski e recebeu aprovação do Programa de Apoio, Fomento e Incentivo à Cultura de Curitiba, na modalidade Mecenato Subsidiado, da Fundação Cultural de Curitiba. Cerca de 15 profissionais participam do trabalho, entre restauradores, historiadora, pesquisadora e fotógrafa.
O processo inclui análises laboratoriais, radiografias, testes de materiais e estudos das intervenções realizadas ao longo do tempo. Uma das características identificadas foi a utilização de branco de chumbo na base de preparação da escultura, material mais associado a pinturas. Exames também ajudaram a identificar pigmentos e compreender as diferentes camadas presentes na peça. A posição dos dedos do Menino Jesus e outros elementos da representação religiosa também são analisados para orientar as decisões durante a intervenção.
A restauração busca preservar as características históricas da escultura. Por isso, partes como os dedos quebrados da santa não serão reconstruídas, já que não existem referências suficientes sobre o formato original. A equipe de Patrimônio Cultural da Prefeitura de Curitiba participa das decisões, enquanto os procedimentos incluem higienização e testes para retirada de camadas de pinturas posteriores, sem comprometer os elementos originais.
A imagem tem importância religiosa e também é considerada um documento material sobre a história de Curitiba, a produção de arte sacra do século XVIII e as técnicas utilizadas na época. Após o retorno ao museu, estão previstas palestras sobre restauração e visitas guiadas até o fim do ano, ampliando o projeto para ações educativas e de difusão cultural.
A devoção a Nossa Senhora da Luz tem origem europeia e chegou ao território que deu origem a Curitiba ainda no período colonial. Segundo a tradição, a primeira imagem da santa chegou à região por volta de 1640 e passou a fazer parte da história ligada à formação da cidade. Em 1995, o papa João Paulo II reconheceu a devoção particular a Nossa Senhora da Luz dos Pinhais e declarou a santa padroeira municipal de Curitiba.
A primeira imagem integra atualmente o acervo do Museu Paranaense. A segunda, que passa pela restauração, pertence ao acervo do Museu de Arte Sacra da Arquidiocese de Curitiba, administrado pela Fundação Cultural de Curitiba. A recuperação da peça busca preservar não apenas a representação religiosa, mas também os vestígios acumulados ao longo de mais de três séculos.
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Fonte:Paraná Jornal





