Cerimônias no Irã que homenageiam manifestantes falecidos durante protestos recentemente sofreram forte repressão do governo. O ritual conhecido como Chehelom, celebrado no 40º dia de morte na tradição xiita, foi transformado em novo espaço de tensão política, com autoridades impedindo reuniões não autorizadas em cemitérios e áreas públicas.
Familiares e moradores organizaram encontros que evoluíram para atos de contestação contra o regime. Em resposta, forças de segurança aumentaram a vigilância nos locais e dispersaram grupos, com relatos de detenções e uso de força. Em algumas regiões, o acesso à internet foi restrito durante as homenagens, visando limitar a divulgação dos eventos.
Paralelamente à repressão, o governo anunciou cerimônias oficiais supervisionadas por autoridades em mesquitas e centros religiosos. Discursos nessas ocasiões buscavam apresentar uma versão das mortes alinhada à narrativa oficial do Estado, enquanto analistas locais sugerem que o objetivo é reduzir o impacto político dos rituais espontâneos.
Desde o fim de 2025, protestos de massa têm desafiado o poder do regime iraniano. As homenagens coletivas, normalmente voltadas ao recolhimento espiritual, agora representam um ato de resistência, e a disputa pelo significado público dos lutos se intensifica entre familiares e o Estado.






