O pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, anunciou nesta quinta-feira (25) a escolha do ex-ministro Márcio França, do PSB, para a vice na sua chapa nas próximas eleições estaduais. Essa decisão representa uma estratégia do governo Lula para enfrentar o atual governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos, que lidera as pesquisas de intenção de voto no estado.
Na véspera, Haddad já havia declarado que nomes como Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) também se colocaram à disposição para a vaga de vice. Em seu discurso, Haddad expressou sua honra pela confiança demonstrada pelos colegas de ministério, comprometendo-se a formalizar o convite a França até o dia seguinte.
A escolha de França como candidato a vice foi resultado de reuniões realizadas com o presidente Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin. Esses encontros foram antecipados em informações anteriores. Lula já havia manifestado a aliados, no final de maio, sua preferência por França como vice na chapa de Haddad.
Convencer França a aceitar a proposta não foi uma tarefa simples. O ex-ministro inicialmente almejava uma candidatura ao Senado, onde disputaria uma das vagas, com Simone Tebet já confirmada e Marina Silva como concorrente. Contudo, França acabou cedendo ao apelo do Palácio do Planalto, que vê nele um perfil moderado capaz de ampliar o suporte da chapa para além do eleitorado tradicional da esquerda, especialmente no maior colégio eleitoral do Brasil.
Com a definição de França como vice, Tebet e Marina Silva agora têm liberdade para avançar em suas pré-candidaturas ao Senado. A desistência de Paulo Serra (PSDB) e Kim Kataguiri (Missão), anunciada no último final de semana, fez com que França considerasse uma candidatura ao governo de SP. França argumentava que a ausência de uma terceira via poderia esvaziar a eleição, favorecendo Tarcísio, que poderia liquidar a disputa no primeiro turno.
Aliados de França acreditam que esse cenário impactaria negativamente o projeto nacional da esquerda, já que Lula ficaria sem um parceiro disputando o segundo turno em São Paulo. Além disso, isso possibilitaria que Tarcísio se concentrasse na campanha de Flávio Bolsonaro (PL). No entanto, apoiadores de Haddad contestaram essa visão, afirmando que uma candidatura de França poderia acabar atraindo eleitores que poderiam votar em Haddad, em vez de afetar Tarcísio, e que sua contribuição seria mais valiosa na chapa como vice do ex-ministro da Fazenda.







