O ex-chefe de gabinete da Presidência, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, está sob investigação da Polícia Federal (PF) por supostas negociações envolvendo um quadro avaliado em 100 mil euros. As informações surgiram a partir de mensagens trocadas entre Marcola e a lobista Roberta Luchsinger, datadas de 19 de dezembro de 2024, onde ele indaga sobre a entrega da obra de arte.
Na conversa, Marcola questiona: "E meu quadro?? Kkk", ao que Roberta responde que a entrega ocorreria na semana seguinte. Ela também menciona a intermediação de negócios com o então secretário-executivo do Ministério da Saúde, Swerdenberger Barbosa, conhecido como Berger. A revelação foi confirmada por fontes que acompanham o caso, que investiga um possível tráfico de influência ligado a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
A PF considera o diálogo um indício de vantagens econômicas indevidas a Marcola, que era visto como uma figura influente na agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os investigadores ainda não esclareceram se o quadro foi realmente entregue.
A defesa de Marcola refutou as acusações, afirmando que o conteúdo das mensagens foi "parcialmente vazado" e que não houve recebimento de nenhum objeto de valor. O advogado Georges Abboud destacou que a menção ao quadro, acompanhada de risadas, não deve ser interpretada como uma cobrança séria. "Marco Aurélio jamais recebeu o referido quadro ou qualquer outro", afirmou.
Marcola deixou seu cargo em julho de 2026, após a divulgação de que ele havia recebido pagamentos de Roberta. A defesa argumenta que esses valores foram um empréstimo e não um pagamento indevido. Roberta Luchsinger, que mantém uma amizade próxima com Lulinha, é atualmente alvo de investigações que envolvem três inquéritos distintos da PF, relacionados a corrupção e tráfico de influência.
Além do quadro, as mensagens obtidas pela PF revelam que Roberta teria comprado joias de diamante para Marcola, avaliadas em R$ 9,2 mil. Em investigações paralelas, a PF encontrou um contrato que Marcola recebeu de Roberta referente a negociações com o Ministério da Saúde. Um dos inquéritos investiga a possibilidade de que Roberta e Lulinha tenham atuado para facilitar contratos de medicamentos de cannabis medicinal, beneficiando o empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS".





