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EUA reconhecem CV e PCC como grupos terroristas

Na última sexta-feira, o governo dos Estados Unidos oficializou a classificação do Comando Vermelho e do Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas, medida que gerou controvérsia...

O governo dos Estados Unidos anunciou, na última sexta-feira (5), a inclusão das facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) na lista de organizações terroristas. A decisão foi publicada no Diário Oficial americano e representa um movimento significativo na abordagem do país em relação ao crime organizado no Brasil.

A medida foi divulgada na quinta-feira anterior pela Administração Trump, desconsiderando as posições do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é pré-candidato à Presidência e aliado de Trump, expressou apoio à decisão, que pode ter implicações profundas nas relações entre os dois países.

No documento assinado pelo secretário de Estado, Marco Rubio, o governo dos EUA argumenta que tanto o PCC quanto o CV são grupos que têm se envolvido em atividades que apresentam riscos à segurança nacional e à política externa dos Estados Unidos. Rubio destacou que essas organizações têm a capacidade de realizar atos de terrorismo que ameaçam a segurança dos cidadãos norte-americanos.

A designação permite que o governo americano bloqueie, sem aviso prévio, os bens e os fundos associados a essas facções dentro do território dos EUA. A medida foi adotada em conjunto com a Procuradoria-Geral e a Secretaria do Tesouro dos EUA, reforçando a intenção de combater o financiamento e as operações desses grupos.

O governo brasileiro, por sua vez, expressou preocupações em relação a essa classificação. A administração Lula teme que a inclusão do PCC e do CV na lista de terroristas possa abrir precedentes para ações militares por parte dos Estados Unidos em território brasileiro, semelhante ao que ocorreu na Venezuela com a deposição de Nicolás Maduro no início deste ano.

Amanda Roberson, porta-voz do Departamento de Estado, esclareceu que a legislação utilizada para a designação não contempla operações militares, focando apenas em medidas financeiras e operacionais contra as facções. Contudo, a controvérsia persiste, com Lula denunciando a influência de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na questão, acusando-os de promoverem interferência externa em assuntos internos do Brasil.

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