A relação entre vacinas e autismo voltou a ser tema de debate nos Estados Unidos, especialmente após declarações do presidente Donald Trump e do secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr. Ambos fizeram alegações que associam o aumento dos diagnósticos de autismo ao número de vacinas administradas às crianças. Durante uma ordem executiva assinada no dia 10, Trump questionou a segurança da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, propondo que seus componentes sejam aplicados separadamente. No entanto, especialistas afirmam que essas alegações não têm respaldo nas evidências científicas.
Alexandre Nikolay, pediatra e coordenador do Departamento de Emergência Pediátrica do Hospital Santa Lúcia Sul, em Brasília, enfatiza que a questão já foi amplamente debatida e esclarecida na literatura médica. Fernanda America Pedreira Soubak, pediatra, alergista e imunologista, também destaca que a segurança das vacinas é uma das áreas mais bem investigadas na ciência.
A ideia de que vacinas poderiam causar autismo surgiu a partir de um estudo fraudulento publicado em 1998 pelo médico britânico Andrew Wakefield, que sugeria uma ligação entre a vacina tríplice viral e o transtorno. Essa pesquisa foi posteriormente desmentida e o artigo foi retirado pela revista The Lancet. Desde então, diversas investigações foram realizadas, sem encontrar qualquer associação entre vacinação e autismo.
Fernanda cita uma metanálise que analisou dados de mais de 1,2 milhão de crianças, não encontrando evidências que ligassem a vacinação ao autismo. A análise também incluiu a vacina tríplice viral e o timerosal, um conservante que havia sido identificado como potencial responsável pelo transtorno. Além disso, não há evidências que indiquem que separar as vacinas aumentaria a segurança ou eficácia do tratamento.
A pediatra ainda explica que, embora vacinas possam causar reações adversas, isso não implica que a combinação dos três componentes seja perigosa. A evidência disponível não mostra risco adicional em administrar as vacinas juntas, em comparação a quando são aplicadas separadamente. Ao fracionar as vacinas, pode-se gerar a necessidade de mais consultas e aplicações, o que pode ser inconveniente para as famílias.
Nikolay complementa que não existe benefício clínico, imunológico ou de segurança em separar ou atrasar a aplicação das vacinas, reforçando que a combinação de vacinas é mais eficiente e menos incômoda para as crianças e seus responsáveis.





