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Erupção vulcânica em Marte sugere que possa haver vida no planeta

Há muito tempo, cientistas suspeitam que Marte seja geologicamente inativo, mas novas observações feitas por uma espaçonave indicam que os vulcões do Planeta Vermelho talvez estejam apenas...


Há muito tempo, cientistas suspeitam que Marte seja geologicamente inativo, mas novas observações feitas por uma espaçonave indicam que os vulcões do Planeta Vermelho talvez estejam apenas adormecidos.

Isso significa que o Monte Olimpo, considerado extinto e com cerca de 26 quilômetros de altura em relação às planícies ao redor, pode ser, na verdade, um gigante em repouso. Este vulcão é a maior montanha conhecida do Sistema Solar.

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As observações foram realizadas pela missão ExoMars Trace Gas Orbiter (TGO), da Agência Espacial Europeia, enquanto a sonda estudava fissuras vulcânicas na região de Alba Mons, em Marte. Alba Mons fica na região de Tharsis, a mesma área que abriga o Monte Olimpo.

Embora o Monte Olimpo seja o vulcão mais alto do Sistema Solar, com aproximadamente 600 quilômetros de largura, a região de Alba Mons é considerada a maior estrutura vulcânica quando se leva em conta a área de sua superfície.

A TGO detectou um gás contendo cloreto de hidrogênio que estava chegando à superfície marciana por meio das fissuras de Alba Mons. Na Terra, esse gás é frequentemente encontrado escapando de aberturas vulcânicas ligadas ao magma. O composto pode ser liberado por material magmático quente no interior do planeta. Sua detecção em Marte é, portanto, um indício de que ainda existe atividade vulcânica, mesmo que ela esteja em estado dormente.

Imagens obtidas anteriormente por sondas em órbita já haviam indicado que alguns vulcões marcianos poderiam ter estado ativos nos últimos milhões de anos. Além disso, sismômetros detectaram tremores conhecidos como “terremartes”, sugerindo que o interior do planeta ainda apresenta atividade. Apesar desses indícios, não haviam sido observadas erupções ou fluxos de lava recentes de forma conclusiva.

“Nossas descobertas sugerem que Marte reteve calor interno suficiente para sustentar atividade vulcânica até recentemente, e talvez ainda o faça”, afirmou Daniel Mège, pesquisador do Centro de Pesquisas Espaciais da Academia Polonesa de Ciências e co-líder da equipe. “A TGO conseguiu encontrar a evidência decisiva. Foi como procurar uma agulha em um palheiro.”

As evidências de vulcanismo dormente em Marte começaram a se acumular quando Mège e seus colegas perceberam aumentos inesperados na concentração de cloreto de hidrogênio durante o verão marciano e no hemisfério norte do planeta. Tanto a época quanto a localização eram incomuns para a detecção desse gás.

Normalmente, a concentração de cloreto de hidrogênio aumenta no hemisfério norte durante o inverno marciano e diminui no verão. Essa variação está relacionada ao ciclo da água e da poeira na atmosfera de Marte. Uma exceção foi observada sobre fissuras vulcânicas nas encostas de Alba Mons, no início do verão.

A TGO investigou essas regiões e detectou fissuras estreitas e aparentemente recentes, algumas com centenas de metros de comprimento. Essas formações constituem mais um indício de atividade vulcânica.

“É realmente impressionante que a sonda tenha identificado algumas moléculas provenientes de uma fonte talvez intermitente, enquanto se desloca continuamente em sua órbita para monitorar toda a atmosfera marciana”, comentou Mège.

A equipe acredita que esses gases sobem do interior de Marte durante o inverno, mas acabam ficando presos sob depósitos de gelo. Quando chega o verão, o gelo sublima — isto é, passa diretamente do estado sólido para o gasoso, sem se transformar em líquido — e libera os gases acumulados. Esse processo poderia explicar os aumentos de cloreto de hidrogênio observados pela TGO.

“Quando examinei a distribuição espacial das emissões, ficou imediatamente claro para mim que havia algo de origem vulcânica por trás delas, mas isso precisava ser demonstrado”, explicou Mège. “Uma parte enorme do trabalho consistiu em investigar todos os processos químicos possíveis que ocorrem na atmosfera marciana.

“Precisávamos ser rigorosos, críticos e criativos para explicar a presença do cloreto de hidrogênio. Os dados eram complexos, mas também estimulavam muito o raciocínio.”

As descobertas também levantam questões sobre a possibilidade de vida em Marte. Mège e seus colegas propõem que o gás esteja relacionado a um sistema de condução de magma, semelhante a uma rede de canais vulcânicos, associado a uma câmara magmática dormente sob a superfície do planeta.

Regiões desse tipo podem se tornar alvos importantes na busca por vida marciana. No passado, gases de origem magmática, como o cloreto de hidrogênio, talvez fossem mais abundantes, contribuindo para uma atmosfera mais densa e um clima mais quente.

Essas condições poderiam ter favorecido a presença de água líquida em grandes áreas da superfície de Marte. Além disso, quando a lava atravessava a crosta marciana e entrava em contato com água subterrânea, poderia formar ambientes aquecidos e habitáveis, potencialmente adequados à vida microbiana.

“Procurar sinais de vida marciana nas fissuras por onde esses gases escapam na região de Alba Mons faria bastante sentido. Se houver sistemas hidrotermais ativos, eles podem conter os ingredientes e a energia necessários para o desenvolvimento de microrganismos, além de protegê-los do ambiente hostil e variável da superfície”, concluiu Mège.

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Fonte:Paraná Jornal

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