O presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, anunciou na última segunda-feira (5) que as eleições gerais serão antecipadas para o dia 29 de novembro. Com essa medida, Sánchez busca renovar seu mandato após enfrentar uma derrota no Congresso em relação às suas propostas para enfrentar a crise da moradia.
A decisão do dirigente socialista, que está no cargo desde 2018, encerra uma legislatura caracterizada pela fragilidade de seu governo de coalizão minoritário. O anúncio foi feito durante um Conselho de Ministras e Ministros extraordinário realizado no Palácio de Moncloa, em Madri, onde o presidente enfatizou a necessidade de ampliar o apoio popular para implementar reformas e combater a desigualdade.
Pesquisas recentes indicam que o Partido Popular (PP), principal força da oposição, lidera as intenções de voto, embora não possua maioria absoluta. Isso significa que, caso vença, o PP terá que buscar aliados para conseguir formar um governo. A extrema direita do Vox, que ocupa a terceira posição no cenário político, pode ser um dos principais parceiros nessa negociação.
Alberto Núñez Feijóo, líder do PP, declarou que a decisão de antecipar as eleições é uma oportunidade para que os espanhóis possam expressar suas vontades. Ele destacou seu compromisso em servir ao país e em promover uma nova fase que una todos os cidadãos, após meses de reivindicações por eleições antecipadas.
A antecipação das eleições ocorre em meio a um contexto de insatisfação popular. Recentemente, o governo tentou aprovar um conjunto de medidas em um momento de intensos protestos relacionados à moradia, que foram provocados pelo despejo de Maricarmen Abascal, uma idosa de 87 anos que se tornou um símbolo das dificuldades de acesso à habitação na Espanha. A idosa foi forçada a deixar seu lar de sete décadas após o aumento do aluguel em 275%.
A rejeição das medidas propostas pelo governo no Congresso gerou indignação entre os grupos que lutam contra a crise habitacional. No último sábado, milhares de pessoas se reuniram em Madri e em outras cidades para exigir ações efetivas. Além disso, um acampamento foi montado na Praça Puerta del Sol, em Madri, onde centenas de manifestantes pressionam por reformas.





