A menos de uma semana das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, a disputa pelo controle do Congresso chega à reta final com uma participação recorde no voto antecipado e uma intensa ofensiva judicial do governo de Donald Trump. Segundo o Election Lab, da Universidade da Flórida, mais de 49 milhões de americanos já depositaram seus votos, número superior aos cerca de 46 milhões registrados nas midterms de 2022.
O Departamento de Justiça tem intensificado ações e investigações relacionadas ao processo eleitoral, o que preocupa autoridades responsáveis pela organização da votação. No Alasca, estado que pode ser decisivo para o controle do Senado, a pasta acelerou uma investigação criminal sobre a eleição para o Senado. O principal procurador federal no estado, Michael Heyman, classificou o candidato independente como um possível "candidato falso", mas não especificou qual crime ele teria cometido. A administração Trump também recorreu à Justiça para tentar impedir que o Alasca certifique o resultado caso a disputa entre o republicano Dan Sullivan e Daniel Sullivan Jr. seja decidida por margem estreita.
A ofensiva não se restringe ao Alasca. O Departamento de Justiça processou a Califórnia para tentar impedir a contagem de votos de mais de 20 mil eleitores registrados, sob a alegação de que poderiam não ser cidadãos americanos. O governo federal ainda entrou na Justiça contra cerca de 30 estados e o Distrito de Columbia para obter acesso a listas eleitorais completas, que podem conter dados pessoais como números de Seguro Social, carteiras de motorista, datas de nascimento e endereços. Na sexta-feira, um juiz federal determinou que o Departamento pare de ameaçar autoridades eleitorais da Califórnia que não cumpram as exigências federais.
Para especialistas em direito eleitoral, as ações podem gerar efeitos mesmo sem vitória nos tribunais. Sean Morales-Doyle, diretor do programa de direitos de voto e eleições do Brennan Center, afirmou que as medidas podem criar um ambiente de medo e desconfiança entre as autoridades eleitorais. Apesar da disputa, pesquisa Reuters/Ipsos realizada entre 30 de setembro e 5 de outubro aponta que 76% dos americanos confiam que seus votos serão contabilizados corretamente, com índice semelhante entre eleitores republicanos e democratas.
Os democratas tentam recuperar o controle da Câmara dos Representantes e, se possível, do Senado. Atualmente, os republicanos têm 53 das 100 cadeiras do Senado, contra 47 dos democratas; para obter a maioria, os democratas precisam conquistar quatro cadeiras a mais que os republicanos. Trump, que percorreu o país para mobilizar sua base, repetiu a promessa de distribuir US$ 5 mil a cada cidadão caso os republicanos vençam, embora persistam dúvidas sobre a legalidade e o financiamento da medida. Ele também reconheceu que historicamente o partido do presidente costuma perder cadeiras nas eleições de meio de mandato, mas afirmou que os republicanos "têm uma chance" de obter bom resultado.





