Nesta quarta-feira, o dólar apresentou valorização em relação ao real, encerrando o dia com alta de 0,44%, cotado a R$5,1114. O desempenho reflete um cenário marcado pelo agravamento das tensões no Oriente Médio, enquanto os investidores no Brasil monitoram de perto os desdobramentos da crise no Supremo Tribunal Federal (STF).
No mercado futuro, o dólar para outubro, que é o contrato mais negociado, também registrou alta, subindo 0,43% e alcançando R$5,1350 às 17h09. No acumulado do ano, a moeda americana ainda apresenta uma queda de 6,88%, após ceder ante o real em cinco das seis sessões anteriores. Essa valorização do real nas semanas anteriores foi impulsionada pela percepção de que a ascensão do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas pesquisas eleitorais poderia favorecer um ajuste fiscal.
No entanto, a quarta-feira foi marcada por uma recuperação do dólar, após os recuos recentes. O dia também trouxe uma reviravolta na Polícia Federal, onde o ministro do STF, Flávio Dino, decidiu reintegrar Andrei Passos Rodrigues ao cargo de diretor-geral, apenas um dia depois de André Mendonça ter determinado seu afastamento. Leandro Almada, que também havia sido afastado, foi reintegrado na mesma decisão.
A disputa entre Mendonça e o ministro Alexandre de Moraes, que está no centro de um inquérito relacionado ao Banco Master, contribui para aumentar a incerteza no cenário político. Moraes é considerado um dos principais adversários de Flávio na corrida eleitoral contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
No âmbito internacional, o foco voltou-se para o Oriente Médio, onde o Irã anunciou ter atacado dez navios no Estreito de Ormuz, em resposta a ações dos EUA que afundaram cinco petroleiros iranianos. O presidente dos EUA, Donald Trump, comentou que a guerra com o Irã deve se prolongar até após as eleições norte-americanas de novembro, alegando que Teerã busca influenciar economias emergentes.
Segundo Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, novos ataques na região do Golfo Pérsico elevaram os preços do petróleo, reacendendo temores de pressão inflacionária global em um momento crítico, com decisões de política monetária se aproximando na zona do euro, Japão e EUA. Ele também observou que a recente queda do dólar no Brasil pode ter levado a um ajuste técnico, enquanto a proximidade das eleições mantém os investidores em estado de alerta.





