As imagens dos torcedores japoneses limpando os estádios após os jogos nas últimas Copas do Mundo se tornaram um símbolo de cidadania e do alto nível de desenvolvimento do Japão. No entanto, o que ocorreu no NRG Stadium, em Houston, no último domingo (28), durante as entrevistas coletivas do zagueiro Marquinhos e do técnico Carlo Ancelotti, apresentou uma realidade diferente que desafia essa imagem idealizada.
Durante a coletiva, jornalistas japoneses se mostraram relutantes em ceder seus lugares aos colegas brasileiros que estavam preparados para realizar perguntas ao defensor e ao treinador italiano. A situação se agravou a ponto de um representante da Fifa precisar intervir, fazendo apelos repetidos ao microfone. No entanto, os jornalistas nipônicos ignoraram os pedidos, deixando os colegas de profissão em pé, o que gerou estranheza e descontentamento.
Se o técnico do Japão tivesse falado antes de Ancelotti e Marquinhos, é provável que os jornalistas brasileiros, oriundos do Terceiro Mundo, tivessem cedido seus lugares. A expectativa é que profissionais de qualquer nacionalidade adotariam um comportamento similar em uma situação análoga.
Além do desconforto nas entrevistas coletivas, a equipe do Jogada10, que está hospedada em um hotel adjacente ao NRG Stadium, se deparou com uma irônica ilusão de ótica. O acesso à área de trabalho dos jornalistas requer uma caminhada de 25 a 30 minutos serpenteando ao redor da arena, enquanto a entrada efetiva parece mais próxima. Para alcançar a calçada, ainda é necessário passar pela entrada de outro hotel.
Na prévia do jogo entre Brasil e Japão, parte da segunda fase da Copa do Mundo, a tradicional gincana promovida nas arenas norte-americanas também se fez presente. As setas indicadoras que orientam o caminho para as entradas frequentemente levam a confusões, resultando em jornalistas perdidos devido a informações conflitantes fornecidas pelos funcionários locais.
Alguns moradores têm sugerido pontos turísticos para visitação, mas a falta de tempo impede qualquer exploração. O desejo de conhecer mais sobre a cultura local e a experiência antropológica de transitar de uma Nova York aberta para um Texas mais conservador permanece apenas como uma curiosidade. Essa coluna, por sua vez, se coloca como um espaço democrático e aberto ao contraditório.







