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Desembargadora alerta sobre impactos de cortes salariais na magistratura

Durante uma sessão no Tribunal de Justiça do Pará, a desembargadora Eva do Amaral Coelho criticou os cortes nos chamados penduricalhos, afirmando que isso poderá levar juízes...

Em uma recente sessão no Tribunal de Justiça do Pará (TJ-PA), a desembargadora Eva do Amaral Coelho expressou preocupações sobre os cortes nos chamados penduricalhos dos salários dos magistrados, que, segundo ela, podem levar a categoria a um "regime de escravidão". A magistrada ressaltou que, em março, sua remuneração líquida foi de R$ 91 mil, quase o dobro do teto constitucional, que é de R$ 46,3 mil.

A desembargadora criticou a forma como a magistratura é percebida pela sociedade, afirmando que os juízes estão sendo vistos como pessoas que ganham altos salários sem realizar um trabalho condizente. "Os juízes estão sendo vistos como bandidos, como pessoas sem escrúpulos", afirmou Eva Coelho, que TAMBÉM mencionou a possibilidade de desembargadores se tornarem funcionários que trabalham sob condições de exploração.

Eva Coelho utilizou o termo penduricalhos para se referir aos benefícios que estão sendo cortados e considerou essa expressão desrespeitosa. “Dizer que o juiz não trabalha e que persegue verbas e mais verbas como privilégios é uma expressão tão chula e tão vagabunda que jogaram em cima da magistratura”, protestou. Ela destacou que a situação financeira da categoria está se tornando crítica, a ponto de colegas estarem evitando consultas médicas devido à falta de recursos.

No primeiro trimestre de 2023, a desembargadora acumulou R$ 216 mil em salários. Ela, que faz parte da 3ª Turma de Direito Penal, chegou ao cargo em julho de 2020, após 35 anos de atuação na área. Eva Coelho TAMBÉM mencionou que a categoria perdeu benefícios como o auxílio-alimentação e gratificações por direção de fórum, o que agrava ainda mais a situação financeira dos magistrados.

A desembargadora enfatizou que a carga de trabalho dos juízes vai além do que é feito nos tribunais, envolvendo horas extras em casa e sacrifícios aos finais de semana. “Ninguém trabalha só aqui. Se nós trabalharmos só aqui, a justiça não vai andar”, disse, reforçando que o trabalho dos magistrados é fundamental para o funcionamento do sistema judiciário.

Por fim, Eva Coelho alertou que as consequências dessas restrições serão sentidas pela população. "A população vai sentir quando ela procurar a Justiça e realmente não tiver. Aí ela vai sentir e vai ver de que lado ela optou."

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