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Daniel Ortega oficializa fim das eleições na Nicarágua

O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, em discurso no 47º aniversário da revolução sandinista, anunciou que não haverá mais eleições livres no país, visando impedir a oposição...

Durante o discurso em comemoração ao 47º aniversário da revolução sandinista, realizado em Manágua no último domingo (21/07), o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, declarou que seu governo não permitirá mais a realização de eleições em que a oposição tenha chances de vencer. Com quase 20 anos no poder, Ortega afirmou que não deseja possibilitar que seus adversários capturem o governo.

"Aqui [na Nicarágua] não voltará a haver eleições para que por aí tentem eles (oposição) capturem o governo, capturem o poder", enfatizou o líder de 80 anos, que governava o país desde 2007 e divide o poder com sua esposa, Rosario Murillo, desde 2017. Murillo, que anteriormente ocupava o cargo de vice-presidente, foi designada copresidente em fevereiro de 2025 por meio de uma reforma constitucional imposta pelo regime.

Em seu discurso, Ortega acusou os opositores exilados de estarem "escondidos" e expressou a crença de que eles buscam vencer eleições apenas para enriquecer. "Mas que se esqueçam: aqui não voltará a haver eleições para que por aí tentem eles tomar o governo, tomar o poder", reiterou. O presidente anunciou que seu governo irá trabalhar com o Parlamento e as organizações relevantes para criar leis que impeçam os opositores de retornarem ao poder, afirmando que não importa quanto dinheiro os Estados Unidos enviem a eles.

Ortega, que na juventude foi um marxista combativo e liderou uma revolução contra o ditador Anastasio Somoza, já se reelegeu três vezes nos últimos anos, em eleições que foram amplamente questionadas pela comunidade internacional. Seus opositores o acusam de estabelecer uma "ditadura familiar" ao lado de sua esposa, de 75 anos.

Em fevereiro de 2025, o regime da Nicarágua implementou uma reforma constitucional que eliminou o equilíbrio de poderes, concedendo poder total a Ortega. Desde então, a repressão contra opositores tem se intensificado. Um exemplo é o caso de Brooklyn Rivera, um ex-deputado de 73 anos e líder do partido indígena Yatama (Filhos da Mãe Terra Unidos), que foi preso em setembro de 2023. As acusações contra ele nunca foram divulgadas, mas a Anistia Internacional o considera um prisioneiro de consciência.

Atualmente, estima-se que cerca de 50 pessoas estejam presas por razões políticas no país. O regime também retirou a cidadania de 546 indivíduos, além de fechar mais de 5.600 organizações não governamentais, 29 universidades e 58 veículos de comunicação.

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