Cuba atravessa uma das piores crises econômicas e energéticas desde a revolução comunista de 1959. Neste ano, a situação se intensificou, com os moradores da ilha relatando apagões frequentes, escassez de alimentos e remédios, além de um funcionamento precário dos serviços básicos. A dificuldade em importar petróleo nos últimos meses tem agravado ainda mais essa crise.
A interrupção na importação de óleo bruto está relacionada ao bloqueio imposto pelos Estados Unidos. Em março, a Rússia enviou ao país pelo menos 100 mil toneladas do insumo, mas esse volume atende apenas cerca de um terço da demanda mensal, conforme estimativa de Irenaldo Pérez Cardoso, diretor-adjunto da estatal União Cuba-Petróleo.
Os efeitos dessa crise são visíveis em várias áreas da capital, Havana. A escassez de combustível tem reduzido a circulação de veículos nas ruas e comprometido o funcionamento de serviços públicos essenciais. Os apagões se tornaram parte da rotina dos cubanos, com interrupções que podem durar quase 20 horas por dia, afetando até regiões com hospitais e embaixadas. A falta de energia elétrica também prejudica o abastecimento de água, que depende de sistemas elétricos para funcionar.
Além disso, a população enfrenta dificuldades para adquirir alimentos. Nos mercados estatais, que operam com preços subsidiados, há uma notável falta de produtos. Nos estabelecimentos privados, embora a oferta exista, os preços são inacessíveis para muitos cubanos. Essa situação se agrava ainda mais pelo fato de que os salários no país estão bem abaixo do custo de vida.
Dados do Escritório Nacional de Estatísticas e Informações de Cuba apontam que o salário médio no país foi de 6.930 pesos em 2025, o que equivale a aproximadamente US$ 14. Muitos trabalhadores recebem valores inferiores a essa média. Os aposentados, por sua vez, relatam receber cerca de 2,5 mil pesos mensais, cerca de US$ 5, quantia que mal permite a compra de uma cartela com 30 ovos, que custa cerca de 3 mil pesos em mercados privados.
A insatisfação com o regime de Miguel Díaz-Canel é palpável entre os cubanos, embora a alta probabilidade de perseguição política impeça a manifestação aberta por mudanças administrativas. A escassez de alimentos, remédios e dinheiro já é uma realidade antiga na ilha, mas a atual conjuntura, que se agravou com a queda no fluxo de turistas após a pandemia de Covid-19, intensificou as perdas econômicas. Dados do Ministério da Agricultura cubano revelam quedas significativas nas produções de 2018 a 2023.





