Centros de tratamento para dependência têm observado um aumento significativo na procura por ajuda relacionada ao uso excessivo de smartphones. Especialistas afirmam que muitos clientes estão lutando contra o que chamam de dependência de telefone, um fenômeno que, embora ainda não reconhecido oficialmente como uma condição de saúde, já afeta uma parcela considerável da população.
Uma pesquisa recente realizada pela Deloitte revelou que 70% dos entrevistados, totalizando mil adultos, sentem que passam tempo demais em seus celulares. Essa percepção é corroborada por dados que mostram que, no último ano, um em cada três clientes atendidos pelos UK Addiction Treatment Centres (UKAT) apresentava uma dependência secundária de telefone, um aumento significativo em relação a 2019, quando esse número era de apenas um em cada dez.
Muitos desses indivíduos relatam uma necessidade avassaladora de utilizar seus dispositivos, comparando a experiência a ter um traficante pessoal que está sempre ao alcance. Marios, um dos pacientes em terapia, descreve sua luta diária para controlar o impulso de verificar o telefone, mesmo durante as sessões de terapia. Para ele, a sensação de precisar atender ao chamado do aparelho é constante e perturbadora.
Com a crescente preocupação sobre o impacto dos smartphones na saúde mental, os centros de tratamento estão adaptando suas abordagens. Alguns pacientes chegam a desistir de seus tratamentos principais ao se recusarem a entregar seus dispositivos ao ingressar nas clínicas. Essa situação levanta a questão de quando o uso excessivo de celulares se transforma em um problema que requer intervenção profissional.
Além das clínicas, empresas de telefonia têm implementado recursos que ajudam os usuários a monitorar e limitar seu tempo de tela, buscando combater a compulsão associada ao uso dos aparelhos. No entanto, a eficácia dessas ferramentas ainda gera debate entre especialistas e usuários.
Marios, que está em um programa terapêutico, relata que, apesar das dificuldades, ele tem se esforçado para reduzir o uso do telefone e se reconectar com atividades que trazem prazer fora do ambiente digital. Ele acredita que, aos poucos, está conseguindo redescobrir a alegria em pequenas coisas do dia a dia, embora reconheça que a luta contra a dependência continua sendo desafiadora.







