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Cooperativismo paranaense mantém crescimento apesar de pressões climáticas e de mercado

Cascavel – A sucessão de frustrações enfrentadas ao longo de 2025, seja por problemas climáticos, seja pela ausência de políticas mais efetivas de amparo e incentivo ao...

Cascavel – A sucessão de frustrações enfrentadas ao longo de 2025, seja por problemas climáticos, seja pela ausência de políticas mais efetivas de amparo e incentivo ao campo por parte do governo federal, encontra um alento para agricultores integrados ao sistema cooperativista no Paraná. O alívio vem por meio das sobras tradicionalmente distribuídas pelas cooperativas no fechamento dos ciclos. Somente a Coamo, maior cooperativa da América Latina, com sede em Campo Mourão, distribuiu R$ 263 milhões aos cooperados, valor 7,8% superior ao repassado em 2024. Já a Coopavel, com sede em Cascavel, anunciou faturamento de R$ 6,2 bilhões e garantiu a distribuição de R$ 65,8 milhões em sobras aos seus 8,2 mil cooperados. Em um estado cuja economia pulsa no ritmo do campo, da indústria e dos serviços, o cooperativismo deixou de ser apenas um modelo de organização para se consolidar como uma das principais forças de desenvolvimento. Robson Mafioletti, o Paraná conta com 227 cooperativas atuando em diferentes ramos da economia. Juntas, elas empregam diretamente 146 mil pessoas, reúnem 4,01 milhões de cooperados e alcançaram faturamento histórico de R$ 205,6 bilhões em 2024. O resultado líquido somou R$ 10,8 bilhões, acompanhado de investimentos de R$ 6,8 bilhões ao longo do ano. O cooperativismo paranaense é diversificado, mas mantém raízes profundas no campo. Das 227 cooperativas, 62 pertencem ao ramo agropecuário, seguidas por crédito (54), saúde (36), transporte (31), infraestrutura (21), trabalho, produção de bens e serviços (16) e consumo (7). Esse conjunto faz das cooperativas as maiores empresas em mais de 130 dos 399 municípios do Paraná, evidenciando seu papel estratégico na interiorização do desenvolvimento econômico. Força estadual A força do cooperativismo também se reflete diretamente na produção agropecuária. As cooperativas respondem por 68% da soja, 69% do milho, 69% do trigo e 43% do leite produzido no Paraná. Na proteína animal, a participação é igualmente expressiva: 46% dos suínos, 48% do frango e 30% do peixe. No total, o sistema concentra cerca de 65% da produção de grãos e 45% das carnes e lácteos do Estado. Por trás desses volumes estão milhares de produtores rurais, em sua maioria pequenos e médios. O perfil do cooperado revela propriedades com área média de até 48 hectares. Imóveis com menos de 10 hectares representam 46% do total, enquanto aqueles entre 10 e 100 hectares correspondem a outros 46%. Ao todo, 92% das propriedades rurais do Paraná possuem menos de 100 hectares, reforçando o papel das cooperativas como instrumento de inclusão produtiva, ganho de escala e competitividade. Metas ambiciosas Olhando para o futuro, o Plano Paraná Cooperativo estabelece metas ambiciosas. O desafio é alcançar, até 2033, um faturamento de R$ 501 bilhões em um cenário considerado realista, podendo chegar a R$ 583 bilhões em uma projeção otimista. Coopavel, cenário econômico desafiador A Coopavel fechou 2025 com números que consolidam sua posição entre as maiores cooperativas agroindustriais do País. O faturamento deve atingir R$ 6,2 bilhões, frente aos R$ 5,3 bilhões registrados em 2024, um crescimento de 18%. O desempenho chama atenção ao ser comparado ao avanço da economia brasileira, cuja previsão de crescimento do PIB é de 2,2% no período. Dilvo Grolli, o resultado demonstra a solidez do modelo cooperativista e a capacidade de expansão da cooperativa mesmo em um cenário econômico desafiador. “Crescemos praticamente oito vezes mais que o PIB brasileiro. Isso mostra que a Coopavel está no caminho certo, com gestão eficiente, investimentos estratégicos e forte participação dos cooperados”, afirma. Além do avanço no faturamento, a cooperativa ampliou sua presença em diversos segmentos, com crescimento da participação nos setores de carnes, grãos e comercialização de insumos. Entre os principais investimentos recentes estão a aquisição de dois complexos de armazenagem no Sudoeste do Paraná, a compra de um moinho de trigo na mesma região, um frigorífico de peixes em Cascavel e a ampliação de 250 mil toneladas na capacidade de armazenagem. Na área de proteínas animais, a expansão também é significativa. Atualmente, a Coopavel abate cerca de 270 mil aves por dia. A projeção é chegar a 290 mil aves diárias em 2026 e alcançar 320 mil em 2027, além de crescimento previsto em outras cadeias de carnes. R$ 65,8 milhões O balanço financeiro indica resultado positivo superior a R$ 140 milhões, permitindo a distribuição de R$ 65,8 milhões aos cooperados. Hoje, a cooperativa conta com aproximadamente 8,2 mil produtores integrados. Para o presidente, os números refletem um trabalho coletivo. Copacol: Sobras de R$ 221 mi Com a superação de desafios e metas alcançadas, a Copacol mantém essa tradição que acelera esse contínuo ciclo de prosperidade e realiza a antecipação do pagamento das sobras, complementações e juros capital que alcançaram R$ 221 milhões em 2025. O anúncio do montante foi feito pelo diretor-presidente, Valter Pitol, durante Reunião Conjunta que reuniu os cooperados na cidade sede da Cooperativa, em Cafelândia. O valor será pago em duas etapas: a primeira parcela foi depositada nas contas dos cooperados dia 12 de dezembro e a segunda após a AGO (Assembleia Geral Ordinária), em 30 de janeiro de 2026. Além do total distribuído, a Cooperativa terá uma reserva de R$ 180 milhões à avicultura e R$ 20 milhões à suinocultura. “Os resultados foram muito bons apesar do cenário desafiador ocasionado pelos mercados nacional e internacional. Mesmo assim, o desempenho da Cooperativa foi positivo e atingimos as metas em nossas atividades. Esse volume de sobras distribuídas aos cooperados garante benfeitorias nas propriedades e reservas para que ocorra o desenvolvimento econômico de toda uma região. Estamos antecipando os pagamentos para que nossos cooperados possam pagar seus financiamentos e também se planejar com tranquilidade”, enfatiza Pitol. Suinocultura A suinocultura teve o melhor desempenho entre as atividades, onde o produtor chegará a receber R$ 72 por suíno entregue. O resultado positivo é partilhado pelos demais cooperados que atuam na atividade, na entrega de leitões. Outra integração com retorno significativo é a avicultura, onde o pagamento total pode chegar a R$ 2,08 por ave. Produtores que atuam com matrizes também terão reflexos financeiros positivos graças a esse desempenho. Mesmo com queda de desempenho da atividade, os piscicultores terão participação nas sobras. “Esse resultado é reflexo de uma atuação conjunta: cooperados, colaboradores e parceiros estiveram empenhados no decorrer do ano para fazer o melhor em suas funções. Nosso objetivo maior é proporcionar a quem está a campo o melhor desempenho, possibilitando o rendimento financeiro justo e condizente com a participação de cada um na Cooperativa”, complementa Pitol. Coamo injeta R$ 263 milhões com sobras A Coamo vai injetar mais de R$ 263 milhões na economia do Paraná. A cooperativa, com sede em Campo Mourão, antecipou R$ 200 milhões em sobras aos cooperados no dia 10 de dezembro e outros R$ 63 milhões aos cooperados da Credicoamo, creditados em 8 de dezembro, referentes a juros e capital social. O valor antecipado pela Coamo é 7,8% maior do que o repassado em 2024, quando totalizou R$ 185,5 milhões. Já a Credicoamo ampliou o repasse em 40% na comparação com os R$ 45 milhões pagos no ano passado. A distribuição considera R$ 0,70 por saca de soja, R$ 0,20 por saca de milho, R$ 0,20 por saca de trigo fixados até 30 de novembro e 1,50% sobre os insumos retirados até a mesma data. José Aroldo Gallassini, a antecipação das sobras faz parte da essência do cooperativismo. “Sempre fizemos o pagamento antecipado dessa sobra, que é um diferencial de uma cooperativa em relação a uma empresa”, afirma. Ele também destaca o desempenho da Credicoamo: “A aplicação financeira dos cooperados rende cerca de 12% ao ano, resultado que, em vários períodos, supera a poupança”. O complemento das sobras da Coamo será pago em fevereiro, enquanto o da Credicoamo está previsto para o início de março. Além de beneficiar diretamente os mais de 32,5 mil cooperados, a antecipação também movimenta a economia dos municípios onde a cooperativa atua. Planejamento e resiliência marcam ciclo de Cocamar e C.Vale mesmo em cenário adverso Mesmo em um cenário marcado por adversidades climáticas, instabilidade de mercado e desafios no comércio internacional, grandes cooperativas paranaenses seguem demonstrando capacidade de adaptação, planejamento e crescimento. Cocamar e C.Vale encerram mais um ciclo reforçando a força do cooperativismo como pilar de sustentação econômica e social. Com sede em Maringá, a Cocamar estabeleceu meta de mais que dobrar de tamanho em apenas cinco anos, saindo de um faturamento estimado em R$ 11,5 bilhões em 2025 para alcançar R$ 25 bilhões até 2030. O objetivo integra o novo ciclo de Planejamento Estratégico, que passa a nortear decisões consideradas determinantes para os próximos anos. Divanir Higino, o propósito central da cooperativa vai além dos números. “Nosso objetivo maior é gerar prosperidade para os cooperados e suas famílias, colaboradores e a comunidade”, afirmou. Ao detalhar o desafio de atingir R$ 25 bilhões em faturamento até 2030, o vice-presidente executivo José Cícero Aderaldo apresentou a trajetória de crescimento da cooperativa. Em 2010, quando teve início um novo ciclo de planejamento estratégico, o faturamento era de R$ 1,6 bilhão. Em 2015, chegou a R$ 3,3 bilhões; em 2020, avançou para R$ 6,9 bilhões; e, em 2025, alcança R$ 11,5 bilhões. Para 2026, a projeção é atingir R$ 14,8 bilhões. C.Vale Já a C.Vale, uma das maiores cooperativas agroindustriais do País, encerra o ciclo com resultados positivos, mesmo diante de um ano considerado extremamente desafiador. A cooperativa manteve o crescimento do faturamento e reforça o compromisso de distribuir sobras aos associados na assembleia prevista para o início de 2026. As dificuldades enfrentadas ao longo de 2025 foram múltiplas. A estiagem severa no Rio Grande do Sul comprometeu significativamente a produção de soja, somando-se à queda nos preços de commodities como soja, milho e trigo, o que pressionou a rentabilidade no campo. Vale, Alfredo Lang, o período exigiu cautela e resiliência. “Vivemos um ano extremamente desafiador, com fatores que impactaram tanto a produção quanto a comercialização”, afirmou. Além do clima, a cooperativa também enfrentou os reflexos da gripe aviária, que afetou as exportações de carne de frango, e das barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos, que reduziram os embarques de carne de tilápia. Outro ponto crítico foi o aumento dos juros do crédito rural e limitação do seguro agrícola. “Sem um seguro adequado, o risco para o produtor cresce de forma significativa, especialmente após uma sequência de cinco safras com problemas climáticos”, alertou Lang. Atualmente, a C.Vale reúne quase 30 mil produtores integrados e atua em seis estados.

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