Especialistas preveem melhora no cenário financeiro do setor apenas em 2027, com juros menores e mercados aquecidos.
O agronegócio brasileiro enfrenta um aumento significativo de recuperações judiciais, com previsão de melhora financeira apenas em 2027 devido a juros e mercados.
O agronegócio brasileiro inicia 2026 sob forte pressão, com um número crescente de produtores e empresas buscando proteção judicial contra dívidas. O endividamento, a perda de margem de lucro e os choques no setor criaram um ambiente de estresse financeiro que deve persistir por mais um ano.
A expectativa de reversão desse quadro é apenas para meados de 2027.
Atualmente, o setor enfrenta o período mais crítico desde a adoção da Lei de Recuperação Judicial. No terceiro trimestre deste ano, foram registradas 443 empresas do segmento em processo de recuperação, um aumento de quase 68% em relação ao mesmo período do ano anterior. O agro se tornou o ramo econômico com mais companhias em reorganização judicial.
Desafios e Perspectivas
Especialistas apontam que a situação é resultado de uma combinação de fatores, incluindo a necessidade intensa de capital, a vulnerabilidade às mudanças de preços, clima e câmbio, financiamentos desajustados e limitações de gestão em empresas familiares. A consultoria RGF&Associados revelou que metade das empresas do agro que deixaram a recuperação judicial no terceiro trimestre não resistiu e encerrou as atividades.
Ainda que o governo tenha promovido renegociações recentes, o alcance é limitado e não resolve o problema estruturalmente. A expectativa é que, com juros menores, clima mais favorável e mercados internacionais aquecidos, o ciclo negativo comece a perder força a partir de meados de 2027.
Até lá, a palavra de ordem no campo será resistência.








